15.8.11

Era Uma Vez a NBA: os anos 70


Nos anos 70, a NBA conheceu a concorrência de outra liga que foi ganhando adeptos por todo o país, a American Basketball League (ABA).

A ABA foi criada ainda na década de 60, mas ganhou a sua fama na década seguinte. Enquanto a NBA era a liga "oficial" dos americanos, a ABA tornou-se a liga alternativa, com a sua famosa bola tri-color (uma ideia do seu primeiro comissário, a ex-estrela da NBA, George Mikan), os jogadores com as grandes afros e a pioneira linha de 3 pontos (que a NBA só adoptou em 79). A NBA era a liga certinha e a ABA era a liga do estilo e do espectáculo.


No entanto, as duas estavam intimamente ligadas. A própria origem da ABA esteve ligada à NBA. Em 1967, a NBA tinha 10 equipas e resistia a aumentar esse número, pedindo preços exorbitantes a qualquer equipa interessada em juntar-se à liga. Como resposta, um grupo de empresários decidiu criar outra liga de basquetebol profissional para competir com a NBA.
Mas desde o início que o seu objectivo era juntarem-se à NBA. Criaram a ABA para construir equipas fortes, atrair jogadores bons e obrigar a NBA a unir-se a eles. E logo desde as primeiras épocas da ABA, que as negociações para uma futura fusão começaram.

Assim, na primeira metade dos anos 70, e enquanto as várias tentativas de fusão decorriam, as duas ligas seguiram os seus caminhos paralelos.

A NBA era já uma liga famosa e estabelecida. Algumas das estrelas responsáveis pela enorme evolução técnica dos anos 60 continuavam a jogar (Oscar Robertson, Jerry West, Wilt Chamberlain) e todos os anos chegavam mais novos talentos. Lew Alcindor (mais tarde conhecido como Kareem Abdul-Jabbar), Walt Frazier, Willis Reed, Bob McAdoo, Elvin Hayes, Pete Maravich, Nate Archibald, entre muitos outros. A evolução técnica que aquelas estrelas dos anos 60 trouxeram para o jogo, massificou-se nos anos 70 e os talentos individuais eram cada vez mais e melhores.


Enquanto isso, a ABA tinha a espectacularidade que muitos gostavam que a NBA tivesse: um estilo de jogo rápido, com muitos contra-ataques, muitos afundanços, muitos triplos e, graças à linha de 3 pontos que forçava os defensores a sair aos atiradores e não os deixava ficar tão fechados no garrafão, mais espaço para jogar. Enquanto a NBA era a liga séria, o basquetebol da ABA era o fun basketball.
Para além disso, a ABA foi também pioneira no recrutamento de jogadores do liceu (as equipas da NBA apenas podiam seleccionar jogadores da universidade), pelo que conseguia desviar muitos talentos para as suas equipas. Como consequência disso, o seu nível técnico era tão bom (ou melhor, para alguns) como o da NBA.
Mas a NBA tinha uma coisa que a ABA não tinha: fama e dinheiro. E com esta segunda recheada de talento, mas à beira da falência, deu-se finalmente a fusão. Ou, melhor, a absorção da ABA pela NBA.

Em 1976, quatro equipas da ABA (Denver Nuggets, Indiana Pacers, San Antonio Spurs e New York Nets) passaram para a NBA e os jogadores das restantes equipas (entretanto extintas) foram espalhados pelas equipas da NBA, num draft especial.
A NBA deu as boas vindas a jogadores como Julius Erving, Connie Hawkins, George Gervin, Artis Gilmore, Moses Malone, Maurice Lucas ou Rick Barry e tornou-se definitivamente a maior concentração de talento basquetebolístico do mundo.

Entre os jogadores que foram chegando na primeira metade da década e os que depois chegaram da ABA, a NBA teve nos anos 70 uma injecção de talento nunca antes vista.

E com o fim da dinastia dos Celtics, o terreno estava livre para novos pretendentes. Foi o começo duma nova era. Depois do domínio dos Lakers nos anos 50 e dos Celtics nos anos 60, os anos 70 foram anos de equilíbrio. Nesses 10 anos, oito equipas diferentes ganharam o título. Cinco equipas ganharam o seu único título (ou títulos) nesta década (Knicks, Bucks, Trail Blazers, Bullets e Sonics). Esta é a lista completa de finalistas e campeões:


A década de 70 foi uma década de crescimento e paridade sem paralelo. Em 1979 a liga tinha crescido até às 22 equipas e o nível de jogo era melhor que nunca. A NBA chegou à sua idade adulta. E, numa era com tantos talentos individuais, eleger os cinco melhores é uma tarefa mais difícil, mas aqui ficam as nossas escolhas para o melhor cinco dos 70's:

Walt Frazier - guard
John Havlicek - shooting guard
Rick Barry - small forward
Elvin Hayes - power forward
Kareem Abdul-Jabbar - center

6 comentários:

  1. João P é o Julius Erving.

    É a década da maior mudança do jogo, com a criação da linha de 3pts passamos a ter "voadores" com espaço para brilhar.

    Márcio se achas-te difícil escolher o 5 dos 70 imagino que na próxima década vai ser bastante pior, pois é provavelmente a que tem maior número de talentos

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  2. eu sei que é, só achei injusto não estar no 5 da década...

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  3. João, é claro que não me esqueci do fantástico e único Dr. J, mas decidi guardá-lo para o melhor cinco dos anos 80 (fica já desvendado um).

    O Dr. J foi, sem dúvida, um dos melhores jogadores dos anos 70, mas jogou mais de metade da década na ABA.
    Se consideramos apenas os seus anos de NBA, foi um dos melhores jogadores do final da década de 70 e do início da década de 80. Para além disso, alguns dos seus maiores feitos na NBA foram já na década de 80 (8 vezes All Star, MVP da NBA em 81, MVP do All Star Game em 83 e campeão em 83), por isso entra no cinco dos 80's.

    E ao colocá-lo no cinco dos 80's também me deixou uma posição livre para colocar o John Havlicek no cinco dos 70's.
    Havlicek foi um dos melhores jogadores dos anos 60, mas viveu essa dinastia dos Celtics à sombra do Bill Russell.
    Depois nos anos 70 continuou a ser um dos melhores jogadores e, já sem Russell, liderou os Celtics a mais 2 títulos (74 e 76).
    E como muitas vezes não tem o reconhecimento devido, tinha de o colocar no cinco dos 70's.

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  4. Pedro, é verdade, conforme vamos avançando no tempo as escolhas tornam-se mais dificeis, pois o número de talentos é cada vez maior.
    Mas a década de 80 não vai ser a mais difícil, pois há alguns que se destacaram do resto (e já revelei aí um deles). A de 90 e dos 00 vão ser piores..

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  5. Obviamente que tens os "mitos" que não podem ser esquecidos, mas a qualidade é impressionante mas seguindo a lógica do Dr J muitos saltaram para os 90 o que vai tornar tudo muito ccomplicado, será uma pena não aparecer nenhum "Bad Boy", digo eu.
    Quanto aos OO pareceme ter 4 elementos garantidos, digo eu, para PG seá mais difícil, mas estou à espera.



    Sei que a fase de pedir post's já passou mas no seguimento deste conjunto que tal uma análise à evolução do jogo ao longo dos anos, será que as mudanças foram assim tantas desde a criação da linha de 3?


    PS: a ABA foi à falência entre outras coisas porque se esqueceu de patentear a famosa bola colorida

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