11.12.14

CONTRA-ATAQUE - Soltar o Adam Silver que há em mim


Depois de prever o triunfo dos Wizards a Este e vaticinar a vitória dos Mavericks a Oeste, esta semana, o Ricardo Brito Reis decidiu soltar o Adam Silver que há em si:





Soltar o Adam Silver que há em mim

por Ricardo Brito Reis

Esta crónica deveria ser sobre a época dos Knicks. Com 20 derrotas em 24 jogos, a equipa de Nova Iorque está "nas bocas do mundo" do basquetebol e não é por bons motivos. Mas confesso que, assim que comecei a escrever o texto, logo surgiram mais algumas notícias sobre a actualidade dos comandados por Derek Fisher (serão mesmo comandados por ele?) e perdi a vontade de me juntar ao coro de maldizentes.

Por isso, vou continuar dentro da mesma linha das crónicas das duas últimas semanas. Lancei a confusão com a aposta numa final entre Dallas Mavericks e Washington Wizards e, depois das apostas colectivas, pensei em avançar com prognósticos para os prémios individuais entregues anualmente pela liga norte-americana. Mas isso não tinha piada, pois não? Então vamos mais longe.

Decidi vestir o fato de comissário da NBA e criar novos prémios para acrescentar aos do costume. E até acho que alguns deles podiam mesmo tornar-se uma realidade.


Equipa subvalorizada (All-NBA underated team):
Mike Conley (Memphis Grizzlies)
Kentavious Caldwell-Pope (Detroit Pistons)
Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks)
Brandan Wright (Dallas Mavericks)
Nikola Vucevic (Orlando Magic)

Neste cinco, tenho que sublinhar um nome em particular: Mike Conley.
Os Memphis Grizzlies são uma equipa de dimensão mais defensiva do que ofensiva e, por isso, têm pouco tempo de antena nos «highlights» diários. Mas são uma grande equipa e as grandes equipas são normalmente comandadas por um grande base. Conley é esse grande base e é, de longe, o jogador mais subvalorizado da NBA.
Depois da melhor temporada da carreira em 2013/14 (17.2pts, 2.9 rs, 6.0 as), o point guard dos Grizzlies está com números muito idênticos neste início de época (16.9 pts, 2.8 rs, 6.1 as), mas a grande diferença é que, este ano, a formação da cidade de Elvis Presley está a jogar melhor no meio-campo atacante e grande parte dessa melhoria tem assinatura de Conley. No 5º lugar do ranking de eficiência ofensiva (pontos marcados por cada 100 posses de bola), o conjunto de Memphis está a beneficiar do crescimento e maturação do base.
A sua capacidade de leitura do jogo é extraordinária, o que, aliada à excelente técnica individual – é praticamente ambidextro (neste caso, será ambicanhoto?!) - , lhe permite tomar quase sempre a melhor decisão. E some-se a tudo isto um máximo de carreira na eficácia no lançamento longo (43.9%).


Jogador que parece-que-desaprendeu-de-jogar (Most unimproved player):
Lance Stephenson (Charlotte Hornets)

Os seus registos estatísticos no capítulo do lançamento dizem tudo. Marca menos pontos por jogo este ano (10.5) do que no ano passado nos Pacers (13.8), em que até partilhava o campo, e a bola, com Paul George. A sua eficácia de «tiro» diminuiu drasticamente (de 49.1% para 38.7% em lançamentos de campo, incluindo uns horríveis 15.9% nos triplos) e a sua equipa está a ressentir-se. E já se fala do seu nome envolvido em potenciais trocas…


Jogador ofensivo (Offensive player of the year):
Chris Paul (L.A. Clippers)

À primeira vista, o nome de James Harden parece assentar como uma luva neste prémio, mas a verdade é que o base dos Clippers é o jogador da NBA com mais influência no ataque da respectiva equipa. Entre os jogadores com um mínimo de dez jogos disputados e média superior a 24 minutos/jogo, CP3 lidera o ranking da eficiência ofensiva individual (pontos marcados por cada 100 posses de bola em que a equipa marca enquanto o atleta em causa está em campo), com um registo de 116.7.


Jogador internacional (International player of the year):
Marc Gasol (Memphis Grizzlies)

Para perceber o porquê, basta lerem o artigo que o Márcio escreveu ontem.


Treinador rookie (Rookie coach of the year):
Steve Kerr (Golden StateWarriors)

Os Warriors têm a melhor defesa da NBA (não sou eu que o digo, mas os rankings de eficiência defensiva), porque Kerr encontrou um sistema que lhes permite defender melhor no geral, mas em particular o pick & roll e os lançamentos de maior eficácia, ou seja, nas áreas mais próximas do cesto. Mas o maior mérito de Kerr é mesmo o de ter sabido lidar com a herança de Mark Jackson, um treinador com registos acima das 50 vitórias/ano e querido pelos jogadores. E tudo sem qualquer tipo de experiência de treino!


P.S.: Fãs dos Knicks, escusam de agradecer.

2 comentários:

  1. Pelo menos os 2 primeiros faziam todo o sentido. Bom post Ricardo, fico à espera pelo da próxima semana.

    (desculpem se a pergunta é 1 pouco descabida, mas todos os anos temos treinadores rookies? Nos ultimos 2 anos sei que houve e mais que um.)

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    1. Não é de todo descabida. Jogadores rookies temos todos os anos, mas treinadores rookies podemos não ter sempre (por acaso, não sei se já houve alguma temporada, ou quantas, sem nenhum treinador rookie; tenho de ir pesquisar). ;)

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