22.12.14

E agora, Josh?



Desta é que ninguém estava à espera. Os Pistons surpreenderam o mundo com uma decisão sem precedentes, ao anunciarem hoje a dispensa de Josh Smith. Não é que seja surpresa para alguém que os Pistons se queriam ver livres dele. É óbvio que a estadia de Smith em Detroit não estava a correr bem (para sermos muito simpáticos) e os resultados desportivos estavam (de novo, para sermos muito simpáticos) bastante aquém das expectativas. A surpresa é a solução radical (e inédita) de dispensar um jogador e um contrato com este valor e preferirem mandá-lo embora sem receber absolutamente nada em troca.

Quão más tinham de estar as coisas naquela equipa e naquele balneário para preferirem pagar-lhe 40 milhões para ele se ir embora e ir jogar noutra equipa? Porque na prática foi isso que fizeram (pronto, isso e libertar espaço salarial). A menos que alguma equipa reclame o seu contrato nas próximas 48 horas (spoiler: a única equipa com espaço para isso são os Sixers, portanto isso não vai acontecer), os Pistons terão de lhe pagar os 40 milhões que restam no seu contrato (deste e dos próximos dois anos). A única vantagem é que podem estender o pagamento ao longo de vários anos e só uma parte do salário é que conta para o tecto salarial (vão libertar cerca de 5 milhões por ano no salary cap com isso).

Quando Smith assinou pelos Pistons nunca esperámos que corresse tão bem como eles pensavam e não augurávamos um grande sucesso para a equipa. Mas também não pensávamos que corresse tão mal. Esperávamos pelo menos uma equipa mediana. Agora, depois das duas piores temporadas da sua carreira, o seu tempo como Piston acabou da pior forma possível.

Mas, dizíamos, se nenhuma equipa o reclamar, Josh Smith torna-se agente livre sem restrições e poderá então assinar por qualquer equipa. E não vão faltar equipas interessadas. Smith pode ter tido dois anos miseráveis e completamente para esquecer em Detroit, mas, alguma justiça lhe seja feita, ele jogou fora da sua posição natural de power forward e numa posição de small forward que potenciou o pior do seu jogo e os seus pontos mais fracos (nomeadamente, o lançamento exterior).

Se voltar a jogar como power forward, se se concentrar naquilo que faz melhor (jogar perto do cesto, defender e ganhar ressaltos) e controlar os seus lançamentos exteriores, Smith pode dar um contributo importante a muitas equipas. E há várias que gostavam de ter um jogador interior com a sua qualidade (e a palavra a reter aqui é "interior"; será esse o maior desafio de quem lhe pegar).

Rockets, Mavs, Cavs, Clippers, Heat e Kings são algumas das equipas que parece que já mostraram interesse.

Os Rockets são o nome mais referido e uma das poucas equipas deste lote onde ele poderia continuar a ser titular (e a única equipa candidata onde seria; nos Mavs, Cavs e Clippers teria de sair do banco e ser um dos elementos da rotação interior). Mas, ao contrário do que muitos dizem, Smith não é o melhor encaixe nesta equipa. Nesta equipa dos Rockets o que encaixaria na perfeição era um stretch 4, um power forward capaz de lançar de fora (como Chris Bosh). Se Smith joga no perímetro poderá ser um desastre como em Detroit. E se ele joga no interior, vai roubar espaço a Dwight Howard e às penetrações de James Harden. Os Rockets jogam com quatro jogadores abertos e isso iria outra vez potenciar o pior de Smith.

Nos Mavs teria a oportunidade de jogar com o seu companheiro de equipa no liceu, Rajon Rondo (algo que eles já disseram que gostavam de fazer um dia). E, mantendo-se dentro do papel, seria um óptimo substituto para Brandan Wright. Era um risco, mas se já arriscaram com Rondo, porque não ir "all in" com Smith?
Os Clippers precisam claramente de profundidade interior e de melhores defensores interiores. Smith poderia ser um excelente reforço para aí. Nos Cavs, que precisam desesperadamente de defesa, idem. Nos Kings seria titular, mas não teria a oportunidade lutar por um título (e encaixar Gay, Smith e Cousins também seria um desafio). E aos Heat, com a lesão de Josh McRoberts, também lhes dava jeito um substituto e Smith poderia jogar no interior com Bosh no perímetro.

Onde ele acabará e onde ele encaixará melhor vai depender muito daquilo que ele esteja disposto a fazer (se aceita ser suplente ou se quer continuar a ser titular; e se consegue, ou está disposto, a adaptar o seu jogo às necessidades da equipa). Mas Josh Smith ainda vai a tempo de contribuir numa equipa de topo e, com isso, salvar a sua carreira.

5 comentários:

  1. E se esta disposto a aceitar um ou dois milhoes por epoca q é o que essas equipas estao dispostas a pagar...

    jose

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  2. Umas pequenas correçoes... Onde é que o josh smith ia ser substituto do brandan wright??? Para alem de jogar 40 vezes melhor que ele , o brandan wright ja nem está nos mavs
    Em relaçao aos kings, eles sao uma das equipas que estao a surpreender este ano e com o smith no plantel a desempenhar um papel semelhante ao que tinha em atlanta, nao vejo porque nao podem constar da lista dos candidatos ao titulo
    Para terminar, nunca na vida o smith sera substituto do mcroberts, era mais ao contrario.

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    1. Caro anónimo, então tu achas que eu não sabia que o Brandan Wright já não está nos Mavs? Eu tinha de ter estado fora do planeta Terra na última semana para não saber isso! :) Já agora, podes ver aqui o meu bitaite sobre essa troca aqui:

      http://setevintecinco.blogspot.pt/2014/12/mavs-rondam-o-titulo.html

      Quanto à questão do substituto, como o Fábio clarificou (obrigado, Fábio), eu não disse que ele seria suplente do Wright, mas sim substituto. Os Mavs perderam o Wright e o Josh Smith poderia ocupar o lugar dele na equipa. Idem para o McRoberts, que está de fora o resto da temporada e o Josh Smith ocuparia o seu lugar na equipa.

      Quanto aos Kings, o Josh Smith poderia torná-los numa equipa melhor (quem sabe até numa equipa de playoffs), mas candidatos ao título já me parece muito exagerado.

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  3. Claudia Oliver25/12/14, 01:30

    Houston is his destiny...

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