20.12.14

Mavs rondam o título?


Vamos lá aos bitaites sobre a troca de Rajon Rondo e a um balanço do negócio para cada um dos lados:


Para o lado dos Mavs, alguém tem dúvidas que é uma boa troca? Arriscada, sim, mas uma oportunidade que não podiam desperdiçar e que os pode catapultar para o topo da conferência. Há dúvidas? Comecemos por elas.

Fazer mudanças na equipa durante a temporada (e numa equipa que está a jogar bem) é arriscado? Sim, é sempre arriscado e nunca se sabe se se vai perturbar a química da equipa. Mas numa equipa veterana esse risco é menor. E estes Mavs têm jogadores (e treinadores) que já viram de tudo e já passaram por tudo nesta liga, por isso não é um balneário perturbável como o de equipas mais jovens e inexperientes. E, de qualquer forma, com aquilo que pode compensar, vale o risco. 

Não têm nenhuma garantia que Rondo renove com eles no final desta temporada? Sim, mas Mark Cuban não é conhecido por ser conservador ou por não correr riscos. É um all in nesta temporada e uma aposta em que esta corra bem e convença Rondo a continuar. Têm 6 meses para o converter a Dallas. E Mark Cuban também não é conhecido por ser forreta e não terá problemas em abrir os cordões à bolsa para o manter.

Rondo não é o jogador mais fácil de gerir? E encaixá-lo neste ataque traz alguns desafios? Sim a ambas, mas se há treinador capaz de fazer ambas é Rick Carlisle. O timoneiro dos Mavs é um dos melhores treinadores da liga (provavelmente, o mais sub-valorizado), o seu ataque é um dos mais criativos, versáteis e eficazes da liga e Carlisle é um génio dos Xs e Os. Pode ser um desafio integrar Rondo neste ataque (particularmente, nas adaptações que terão de fazer no espaçamento, pois Rondo não é um atirador), mas desconfio que Carlisle o consegue fazer.
E na parte da gestão de personalidades? Carlisle treinou (com sucesso) os Pistons de Ben Wallace e os Pacers de Ron Artest, Stephen Jackson e Jamaal Tinsley. Ao pé dessas personagens todas, gerir Rondo deve ser brincadeira de criança.

Perderam um jogador importante do banco? Sim, mas esses são muito mais fáceis de substituir (já se fala de Jermaine O'Neal para esse lugar, por exemplo).

Agora as certezas: 
os Mavs fazem um enorme upgrade naquela que era a posição claramente mais fraca do cinco inicial. Rondo traz aquilo que mais precisavam: um base que defende e ajuda nos ressaltos.
Numa conferência Oeste recheada de excelentes bases, os Mavs entravam em todos os jogos com um grande mismatch e em desvantagem nessa posição. Com Jameer Nelson, ia ser um desafio parar os fortíssimos backcourts do Oeste nos playoffs e teriam de compensar esse ponto fraco individual através do colectivo e do sistema defensivo. Agora já não precisam. Agora já têm alguém para defender os bases adversários. Com Rondo na primeira linha de defesa e Chandler lá atrás, a defesa dos Mavs vai ser muito melhor.

No ataque, Rondo não terá de marcar pontos ou ser o ponto fulcral da equipa (como lhe era exigido nos Celtics pós-Big Three). Nos Mavs regressará ao papel que sempre desempenhou melhor: assistir, abastecer as armas ofensivas da equipa e, pelo meio, aproveitar os espaços que estes abrem na defesa para penetrar e marcar uns pontos. Era isso que Rondo fazia com Allen, Pierce e Garnett (onde era a 4ª opção do ataque) e é como facilitador que ele está no seu melhor. 

Dissemos em Outubro, no Boletim de Avaliação da equipa, que os Mavs não tinham um base de topo. Entre os três que tinham (Nelson, Harris e Felton, na altura; depois, juntou-se Barea), nenhum era muito bom, mas todos juntos podiam dar um decente. Tinham uma espécie de base por comité, mas faltava um base bom. Agora já têm um.

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Para o lado dos Celtics, foi o negócio inevitável e possível. Este não era o plano A da equipa e foi algo a que resistiram até ao fim, mas acabaram por não ter alternativa. E para plano B, não foi mau. 

Como sabemos, Rondo é free agent no fim da temporada, e perante a incapacidade de o rodear com jogadores estabelecidos e reconstruir a equipa com ele (era esse o plano A; neste Verão, tentaram contratar, por exemplo, Kevin Love), e perante a possibilidade de o perder sem receber nada em troca, não lhes restava outra hipótese senão tentar conseguir o máximo possível por ele. 

Ora, nessas circunstâncias, já sabemos que uma equipa nunca consegue o mesmo valor em troca. Os Celtics conseguiram dois jogadores promissores e mais um par de escolhas no draft (Jameer Nelson não faz, obviamente, parte dos planos para o futuro). As escolhas não são especialmente boas (uma 2ª ronda e uma 1ª ronda em 2015, mas que não será uma escolha alta), mas são mais peças (para manter na equipa ou para usar em negócios futuros) e mais alternativas para a reconstrução que têm pela frente. Podiam ter conseguido melhor? De certeza que Danny Ainge tentou e gostava de ter conseguido, mas isto deve ter sido o melhor que lhe ofereceram.

Os Celtics ainda tinham uma ténue esperança de reconstruir (mais rapidamente) pela via de trocas e/ou free agency e montar uma equipa com Rondo. Agora, com esta troca, desistiram desse plano e viram-se para o plano da reconstrução (mais lenta) pelo draft e pelo desenvolvimento dos jovens. E esse é um plano que ainda agora começou.

1 comentário:

  1. Papa Valdemares21/12/14, 12:01

    Falta-lhes um melhor Nowitzki...

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