1.12.14

O problema das conferências na NBA


Mark Cuban atirou a ideia para o ar: a NBA devia reformular as conferências, mudar os Mavs, os Rockets, os Spurs e os Pelicans para o Este e os Bulls, os Pistons, os Bucks e os Pacers para o Oeste.

Tudo isso para resolver a questão do desequilíbrio que se tem verificado na última década entre o Oeste e o Este e para assegurar que equipas do Oeste com melhor recorde não ficam de fora dos playoffs enquanto outras com pior recorde no Este vão à segunda fase da temporada.

Baralhar as conferências e mudar equipas de lado era uma hipótese. Mas não há forma de assegurar que isso represente equilíbrio no futuro e que esse problema não volte mais tarde. O que nos garante que os Mavs, Spurs ou Rockets vão continuar a ser bons? Ou que Pistons e Bucks não vão ser? E que daqui a 10 anos não teríamos o mesmo problema? Ou porque não mudar os Grizzlies, os Thunder e os Wolves, que estão mais a Este que os Mavs?


É apenas uma reorganização geográfica, que, para além de um pouco arbitrária ou que tem apenas em conta o estado atual das equipas, não muda o formato da competição, nem a natureza do problema (e uma que, claro, neste momento beneficiaria os Mavs). Por isso, esta não nos parece a melhor solução ou uma que resolva o problema a longo prazo.

As conferências existem, desde sempre, por razões logísticas. As equipas foram organizadas geograficamente e colocadas a jogar mais vezes contra equipas da mesma região para evitar tantas viagens longas e tanto desgaste nas mesmas.

Mas isso era há 50 anos, quando as conferências foram criadas. Hoje em dia, é muito mais confortável e mais fácil viajar. As equipas já não viajam em voos comerciais, têm todas os seus voos privados e atravessar os Estados Unidos já não é tão custoso e desgastante como há 40 ou 50 anos.

Por isso, outra hipótese poderia ser eliminar completamente as conferências e, como nas ligas europeias, fazer uma fase regular em que todos jogavam contra todos o mesmo número de vezes (à qual se seguiria uma fase de playoffs com as melhores 16).

Apesar de ser mais fácil viajar, ainda assim isso representaria um aumento na carga de viagens e, para tal, provavelmente precisavam de mexer no número de jogos. Para uma temporada regular em que jogassem todos contra todos o mesmo número de vezes, teriam de fazer um calendário mais reduzido.

Mas já sabemos como isso, não só pelas razões históricas, mas também pelas económicas,  é algo de muito difícil implementação também. Por isso (ou pelo menos tão cedo), esta também não é a solução mais viável.


E depois temos uma terceira hipótese, uma sugerida por Tom Ziller no SB Nation. Uma solução mais simples, que não obriga a mudanças no formato das divisões nem no número de jogos da temporada regular.

Mantém-se o calendário como está (com as equipas agrupadas por divisões e com mais jogos entre equipas de cada divisão e conferência), mas apuram-se para os playoffs as 16 melhores, independentemente da conferência. É claro que esse formato de playoffs podia dar origem a viagens maiores (podíamos ter séries entre equipas de pontas opostas do país), mas isso poderia ser resolvido com a redução (ou até a eliminação) dos jogos da pré-temporada (que servem para muito pouco mesmo). A temporada começava duas ou três semanas antes e podiam ganhar espaço para ter jogos mais espaçados nos playoffs.

O problema da competição entre conferências é um problema complexo e para o qual não há uma solução mágica, mas esta última hipótese era (relativamente) fácil de implementar e seria uma melhoria em relação ao formato e ao desequilíbrio actual. E aquela que, na nossa opinião, a NBA devia considerar seriamente e experimentar. Mark, não queres atirar esta para o ar?

7 comentários:

  1. Mas não seria a última sugestão injusta na mesma. Nesse formato arriscavam-se a ter 2 equipas a lutar pelos playoffs, mas uma tinha feito 3 jogos contra a equipa com pior score e a outra tinha 3 jogos contar a equipa com melhor score. Seria no mínimo ingrato.

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    1. Ver a resposta ao comentário do João Santos. ;)

      No imediato, isso ia acontecer, mas seria eliminado e equilibrado ao longo do tempo.

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    2. Mas, como digo, não há uma solução perfeita (ou ainda não pareceu nenhuma perfeita), só que essa parece-nos a melhor (e a mais fácil de implementar).

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  2. mas ao haver conferencias e os mesmos jogos e passarem os 16 melhores globais das duas conferências não faz sentido na medida em que se o Este é mais fraco e tem mais jogos contra o Este as melhores equipas do Este saiem benificiadas, acho eu pelo menos :/

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    1. Sim, no imediato continuaria a existir essa vantagem para as equipas do Este, que podiam ter um calendário mais fácil na temporada regular, mas essa vantagem seria diminuída com o passar do tempo, pois ao irem as 16 melhores aos playoffs, assegurava que ficavam as 14 piores na lotaria do draft.
      Hoje em dia, quando uma equipa já boa do Oeste fica de fora dos playoffs e uma equipa pior do Este vai, significa que uma equipa melhor vai escolher à frente de uma pior, o que significa que essa diferença pode continuar a aumentar. Se forem as 14 piores, isso deixava de acontecer e, no longo prazo, aumentava as probabilidades de construção das equipas mais fracas do Este.

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  3. Sinceramente, acho que tão cedo não vai haver 1 ideia credivel para se implementar

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    1. Sim, ainda não é esta do Cuban... ;)

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