18.12.11

Boletim de Avaliação - Central Division


Depois da análise da Southeast, vamos continuar pela conferência Este acima. Hoje avaliamos as equipas daquela que foi a divisão mais fraca na temporada passada (à excepção dos Bulls, as outras quatro equipas juntas tiveram uma percentagem de vitórias de 36.9 e o segundo classificado, os Pacers, ficou a 25 jogos dos Bulls!):


BOLETIM DE AVALIAÇÃO - CENTRAL DIVISION


Chicago Bulls

Saídas: Rasual Butler, Kurt Thomas, Keith Bogans (dispensado)
Entradas: Jimmy Butler (draft, nº 30), Richard Hamilton; (seleccionaram também Nikola Mirotic no nº 23 do draft, mas vai continuar no Real Madrid, para já)
Cinco Inicial: Derrick Rose - Richard Hamilton - Luol Deng - Carlos Boozer - Joakim Noah
No banco: CJ Watson - Ronnie Brewer -  Kyle Korver - Taj Gibson - Omer Asik
Treinador: Tom Thibodeau

Balanço: Não deixa de ser surpreendente que os Bulls, com o MVP da temporada, o Treinador do Ano e 62 vitórias, não tenham entrado nos planos dos principais free agents. Tinham tudo para ser uma equipa atractiva para quem se queria juntar a um candidato, mas nenhum dos maiores nomes falou deles como possível destino. E assim, os Bulls não fizeram grandes mudanças ou contratações. Também, na verdade, não precisavam. Cumpriram o maior objectivo que tinham nesta offseason e reforçaram a sua posição mais fraca do cinco inicial, a de shooting guard, com a contratação de Hamilton. Foi, por isso, uma offseason positiva, mas não brilhante. Um pouco mais de profundidade no banco (principalmente a small forward) era bem vinda (se tivessem conseguido um Caron Butler ou um Shane Battier, tinha sido perfeito), mas de qualquer forma, a equipa de Chicago, com este grupo com mais um ano de experiência, vai estar na luta pela coroa da conferência Este (e da NBA).
Nota: 12

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Cleveland Cavaliers

Saídas: JJ Hickson, Joey Graham, Baron Davis (amnistia)
Entradas: Kyrie Irving (draft, nº 1), Tristan Thompson (draft, nº 4), Omri Casspi
Cinco Inicial: Kyrie Irving - Anthony Parker - Omri Casspi - Antawn Jamison - Anderson Varejão
No banco: Ramon Sessions - Daniel Gibson - Tristan Thompson - Ryan Hollins - Semih Erden
Treinador: Byron Scott

Balanço: Reconstrução, reconstrução, reconstrução. A offseason dos Cavs resume-se essencialmente ao draft, onde tinham a 1ª e a 4ª escolha e escolheram Irving (sem surpresas) e Thompson (este surpreendentemente). Depois disso, (porque escolheram um power forward) ainda enviaram Hickson para os Kings em troca de Casspi. Não tinham nenhum objectivo na free agency e o plano é acumular jogadores jovens e desenvolvê-los. E como este ano vão continuar pelo fundo da tabela, no próximo ano devem ter mais uma escolha alta no draft e continuar o plano. Quanto à nota desta offseason, depende da forma como acertaram (ou não) no draft. Com Irving a aposta parece segura, com Thompson menos. Por isso, quando olharmos para trás, vamos ver se esta nota devia ser mais alta ou mais baixa, mas para já:
Nota: 13

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Detroit Pistons

Saídas: Richard Hamilton, Tracy McGrady, Chris Wilcox, Terrico White
Entradas: Brandon Knight (draft, nº 8), Vernon Macklin (draft, nº 52), Damien Wilkins (e escolheram também Kyle Singler no nº 33 do draft, mas este vai ficar até ao fim da época no Real Madrid)
Cinco Inicial: Rodney Stuckey - Ben Gordon - Tayshaun Prince - Charlie Villanueva - Greg Monroe
No banco: Brandon Knight - Will Bynum - Austin Daye - Jason Maxiell - Ben Wallace - Jonas Jerebko
Treinador: Lawrence Frank

Balanço: A parte boa para os Pistons, ao prepararem-se para esta temporada, é que pior do que o ano passado não podia ser. Depois duma temporada para esquecer a todos os níveis (desportivos, disciplinares e executivos), os Pistons sofreram muitas mudanças. Mas não dentro de campo. Mudaram de dono, mudaram de treinador, mas no plantel não foram grandes as mudanças. No backcourt, perderam McGrady e dispensaram Hamilton, mas adicionaram Knight através do draft. Para além disso, o maior objectivo deste offseason foi renovar com todos os seus jogadores que eram free agents (Stuckey, Prince, Jerebko) e esse foi plenamente conseguido. Mas isso não é necessariamente bom. Porque com esta equipa nem vão lutar por alguma coisa no futuro mais próximo nem reconstroem duma vez por todas. E assim esta equipa continua no mesmo limbo do ano passado, algures entre tentar ser competitivos no presente e a reconstrução. E com estas movimentações não fizeram nada para sair daí.
Nota: 9

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Indiana Pacers

Saídas: Mike Dunleavy, TJ Ford, Josh McRoberts, James Posey (amnistia), Brandon Rush
Entradas: David West, George Hill, Jeff Pendergraph, Louis Amundson
Cinco Inicial: Darren Collison - Paul George - Danny Granger - David West - Roy Hibbert
No banco: George Hill - Dahntay Jones - Tyler Hansbrough - Jeff Foster 
Treinador: Frank Vogel

Balanço: Aqui está um bom exemplo duma construção paciente, adquirindo e acumulando jovens promissores através de drafts e trocas, libertando espaço salarial e, quando já têm a equipa à beira dum salto qualitativo, ir atrás da peça (ou peças) que falta na free agency. Foi o que os Pacers fizeram este ano, onde foram das equipas mais activas e agressivas na procura de jogadores. E acabaram por conseguir um dos melhores big men disponíveis: David West. Até aqui tudo perfeito e uma offseason muito positiva para a equipa de Indiana. Mas hoje surgiu a notícia que trocaram Brandon Rush por Louis Amundson, dos Warriors. E duma equipa equilibrada com boas soluções em todas as posições (3 bases, 3 shooting guards, 3 power forwards, 2 small forwards e 2 postes), passam a uma equipa com menos um shooting guard da rotação regular e com quatro power forwards. De qualquer forma, esta é uma equipa melhor que o ano passado, que irá lutar pelos playoffs e pode causar muitas dificuldades a quem os apanhar aí. Mas este negócio de hoje mancha a offseason (até aqui) imaculada dos Pacers e não permite que a nota final seja ainda melhor. 
Nota: 13

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Milwaukee Bucks


Saídas: Corey Maggette, John Salmons, Keyon Dooling
Entradas: Tobias Harris (draft, nº 19), Jon Leuer (draft, nº 40), Mike Dunleavy, Stephen Jackson, Shaun Livingston, Beno Udrih
Cinco Inicial: Brandon Jennings - Stephen Jackson - Luc Mbah a Moute - Ersan Ilyasova - Andrew Bogut
No banco: Beno Udrih - Shaun Livingston - Mike Dunleavy - Carlos Delfino - Drew Gooden - Jon Brockman
Treinador: Scott Skiles

Balanço: Esta é outra equipa que promete melhor que o ano passado. Salmons (que foi um fracasso na temporada passada) e Maggette (que é um fução) já lá vão e Stephen Jackson e Mike Dunleavy vão ajudar no calcanhar de Aquiles da equipa, o ataque. E, depois de em 2010-11 ter jogado limitado, Bogut está completamente recuperado da lesão no cotovelo. Para além disso, com Udrih e Livingston  conseguem bons suplentes para render Jennings. E ainda renovaram com o seu excelente defensor, Mbah a Moute. Por isso, tudo razões para acreditar que a defesa pode continuar tão boa como antes e o ataque pode melhorar. Uma boa offseason a que se pode seguir (e em Milwaukee assim se espera) uma boa temporada. 
Nota: 13


Esta vai ser uma divisão mais forte que o ano passado, com uma equipa que luta pelo título e vai ganhar novamente a divisão (Bulls) e duas equipas que se preveem melhores e vão lutar pelos playoffs (Pacers e Bucks). Depois temos as outras duas que vão continuar pelo fundo da tabela (uma para quem isso está dentro do plano - Cavaliers - e outra - Pistons - que, embora não o desejando, não o deve conseguir evitar).


(a seguir: Boletim de Avaliação - Atlantic Division)

5 comentários:

  1. VdeAlmeida18/12/11, 22:33

    Bom Márcio, em relação aos Bulls, que além de ser a minha equipa preferida, é a única da divisão que pode lutar para o título, há na tua análise, creio eu,um pequeno erro de perspectiva: é que não me parece que seja dos Free-agents que costuma partir a iniciativa de indicar para onde querem ir, mas sim das equipas procurarem os reforços de que mais precisam. É claro que há excepções, e mesmo nesses casos é sempre necessário que a organização para onde pretendem ir, os queiram.
    Quanto aos Bulls, as questões que se punham eram 2: a substituição do shooting guard (resolvida com Hamilton) e a possível integração de Howard. Mas neste último caso, tal custaria aos Bulls uma grande remodelação na equipa - os Magic quereriam no mínimo Deng, Noah, Gibson e talvez futuros drafts - o que, na minha opinião, seria nefasto para a equipa.
    Dizem alguns comentaristas da NBA, que com Howard e Rose seriam imbatíveis, o que eu duvido (basta ver o que se dizia dos Heat no princípio da época e como a mesma acabou para os mesmos). Quanto a mim, seria hipotecar o futuro, sem qualquer garantia de que a troca resultasse num sucesso.
    Acredito que a dupla Rose/Howard seria muito forte, mas quem vê a NBA ao tempo que eu vejo, sabe o que, por exemplo, aconteceu com as duplas Jackson/Ewing nos Knicks, ou nos Jazz, com Stockton/Malone: nunca conseguiram um anel.
    Resumindo, acho que os Bulls tomaram as decisões certas. Claro que poderiam ter adquirido um shooting guard mais jovem - Monta Ellis, por exemplo - mas isso custar-lhes-ia mexer em pedras essenciais da sua equipa. Assim, entram em fase de consolidação - espera-se que Boozer se redima da época relativamente fraca que fez o ano passado, sob risco de ver Gibson roubar-lhe o lugar na equipa principal, e eventualmente a ser futuramente trocado - e acredito que possam ir mais longe que o ano passado, embora Miami seja um adversário temível.

    Saudações

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  2. VdeAlmeida18/12/11, 22:43

    Só uma nota para acrescentar que não me esqueci do que aconteceu no passado ano com James e Bosh, que rumaram a Miami, mas aí houve um conluio pouco habitual na NBA, e o interesse recíproco jogadores/Miami.
    Quanto à contratação de um small forward, creio que o tecto salarial dos Bulls esr+a mesmo rés-vés, além do que vão ter que concentrar todas as suas possibilidades económicas para a renovação próxima de Rose, que, ao que consta, lhes vai custar uma nota preta.

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  3. Tenho de falar daquilo que sei, daí me centrar nos Pistons neste comentário.

    Não acho que seja assim tão catastrófico o cenário, principalmente no que toca à "não-renovação" que eles sofreram... Então se os Pistons tem a Draft #8 e #32 (que não permitem escolhas maravilhosas), livraram-se do Hamilton e do Tracy McGrady, e conseguem criar um Bom Backcourt com o Stuckey e o Gordon, com o Brandon Knight a adquirir experiência e com o Will Bynum que é um jogador pouco usual no bom sentido mas cujas limitações físicas e defensivas o relegam para quarta escolha, não há futuro nesta equipa?

    É certo que o problema principal de Detroit é a defesa (ou falta dela) mas temos um Center muito promissor no Greg Monroe, que anda a treinar forte os bloqueios e os pontos em volta do cesto, e com um Tayshaun Prince que dá experiencia à equipa, pois uma equipa só de jovens nao dá bom resultado...

    Como tal, fica a faltar um bom Power Forward, que é a meu ver a deficiência gritante do Roster e que nao foi bem colmatada neste período... O Charlie Villanueva está muito longe de me convencer pois não defende, ponto, mas neste jogo com os Cavs, eu vi ele a tentar, a esforçar-se. E se continuar a trabalhar, pior não deve ficar... E depois o Jonas Jerebko, que regressa duma lesão gravíssima no Tendão de Aquiles, ainda não está pronto para ocupar essa posição, mas com tempo e trabalho, vai ser o PF titular. Ele na primeira epoca de NBA, foi bastante promissor! Daí não entender o porque de dizer que a equipa não se está a renovar...

    Deveriam os Pistons não ter renovado com o melhor SF que têm no Plantel? Deveriam os Pistons não renovar com Stuckey quando ele foi o melhor marcador da equipa numa epoca em que o ele e o Kuester estavam sempre às turras? O Stuckey nos ultimos 10 jogos, depois de ter sido relegado para o banco pelo Q, fez uma media de 25 ppg...

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  4. Baron Davis vai para os Knicks

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  5. VdeAlmeida,
    é claro que as equipas é que escolhem os free agents que desejam ou precisam, mas também sabemos que os jogadores têm, muitas vezes, destinos preferidos. Ouvimos constantemente notícias sobre isso (como Howard preferir os Mavs, os Lakers ou os Nets, por exemplo) e noticias sobre jogadores que fizeram a sua lista de possíveis destinos. E surpreende-me que os Bulls não apareçam mais vezes nessas listas, era a isso que me referia.

    NunoTaker,
    Se os Pistons deveriam não ter renovado com o melhor SF que têm?
    Quando ele tem 32 anos e a equipa não tem perspectivas de lutar por alguma coisa nos tempos mais próximos, sim.
    Quando isso não os vai levar a lado nenhum e só atrasa a renovação, sim.
    Porque assim estão naquele meio termo em que nem são suficientemente bons para ir aos playoffs, nem têm a flexibilidade salarial para melhorar a equipa (Gordon, Villanueva e agora Prince têm contratos por mais 3 e 4 anos e até lá estão de mãos atadas). E como até têm uma equipa decente para não ficar nos últimos lugares, as hipóteses de ter uma das primeiras escolhas no draft também não é alta.
    E ficam presos neste meio-termo. Se o objectivo fôr ser uma equipa de meio da tabela, o plano é óptimo, mas se o objectivo (como é de certeza para Joe Dumars) fôr lutar pelo título, assim não irão lá.

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