10.12.11

Chris Paul nos Lakers: o beco sem saída da NBA


Depois dum primeiro dia de free agency (e ao mesmo tempo, primeiro dia de training camp) muito movimentado, a acção acalmou (compreensível porque, afinal, é sábado) e o tema de todas as conversas continua a ser o veto da NBA à troca de Chris Paul para os Lakers.


Quinta feira à noite Lakers, Rockets e Hornets tinham tudo acertado: CP3 ia para LA, Pau Gasol seguia para o Texas e Lamar Odom, Luis Scola, Kevin Martin e Goran Dragic faziam as malas para New Orleans. Sexta feira de manhã, David Stern deu luz vermelha ao negócio, invocando "razões basquetebolísticas". Segundo o comunicado oficial da NBA, "todas as decisões são feitas na base do que é o melhor interesse dos Hornets. No caso da proposta de troca que foi feita aos Hornets por Chris Paul, decidimos, livres da influência dos restantes proprietários da NBA, que a equipa ficava melhor servida com Chris num uniforme dos Hornets do que pelo resultado dos termos da troca".

O esclarecimento de que a decisão foi tomada "livre da influência dos restantes proprietários da NBA" deve-se aos rumores que logo surgiram de que essa tinha sido a causa do veto. Uma suspeita adensada pela carta que Dan Gilbert, dono dos Cavaliers, escreveu para David Stern.

Ora a pressão dos donos pode não ter sido a causa, mas teve de certeza influência na decisão. Isso e o facto da mensagem que esta troca passaria. Depois de um dos cavalos de batalha da liga ao longo do lockout ter sido um sistema que desse às equipas de mercados mais pequenos melhores condições para manter as suas estrelas, trocar a estrela da equipa (dum mercado pequeno) que é detida pela liga para uma equipa num mercado grande daria a impressão que essa luta (e todo o lockout) tinha sido uma perda de tempo. A NBA não queria (não podia?) passar essa mensagem. E, no entanto, a emenda pode ter sido pior que o soneto.

Na temporada passada, quando George Shinn se quis desfazer dos Hornets, a solução encontrada na altura para evitar que a equipa acabasse ou saísse de New Orleans foi a NBA ficar com a equipa até encontrar um comprador que a mantivesse na mesma cidade. Mas a liga estava a meter-se num beco sem saída e agora bateu de frente na parede. 

A liga, consciente da situação bicuda em que estava, afirmou desde o início que não iria interferir com a gestão da equipa e que o general manager Dell Demps e os restantes dirigentes tinham autonomia para tomar as decisões basquetebolísticas. Mas quando agora tomaram uma que chocou com os interesses da liga, a NBA meteu-se noutro beco sem saída.

Porque agora que alternativas lhe restam? Se não aprovam nenhuma troca por Chris Paul e este ficar nos Hornets até ao fim da temporada, vão assistir depois à sua saída com free agent sem receberem absolutamente nada em troca. E isso não será, de todo, no melhor interesse dos Hornets. Porque o melhor para eles, na inevitabilidade da saída de Chris Paul (e se ele quiser sair no fim do contrato, ninguém o pode impedir), é conseguir o máximo em troca. Se isso não acontecer, a NBA vai provar que não agiu em função do que era melhor para os Hornets, mas sim pelo que era politicamente melhor para eles neste momento. 

Mas agora se aprovam qualquer outra troca por Chris Paul vão dar a ideia que estão a manipular o mercado e a decidir onde o base vai jogar. Por isso, parece não restar outra alternativa à NBA que não seja aprovar a troca para os Lakers. Como tem sido relatado nas últimas horas, esse negócio parece que está ser discutido de novo (parece que já foi inclusivamente apresentada uma nova proposta para aprovação) e se acrescentarem mais qualquer coisa (umas escolhas no draft) para o lado dos Hornets a troca pode ser aprovada.

E quer queiram admiti-lo ou não, a oferta dos Lakers e Rockets é boa e provavelmente a melhor que vão ter. Odom, Scola, Martin e Dragic por um jogador que quer sair é um óptimo negócio (tão bom ou melhor do que os Nuggets conseguiram por Carmelo) e um que é benéfico para os Hornets.

Para a NBA, mais uma estrela num mercado grande pode não ser a melhor coisa que podia acontecer depois da luta no lockout, mas não há neste momento nenhuma solução ideal para a liga. Desde o momento em que ficaram como donos dos Hornets que se estavam a pôr a jeito para que algo assim acontecesse. Agora David Stern vai ter de escolher como ultrapassar esta parede sem se estatelar mais. E deixar o mercado funcionar (mesmo que, politicamente, não lhe agrade) é a melhor maneira.

5 comentários:

  1. Individualmente até me parece um melhor negócio do que o do Melo. Colectivamente, o pack do Melo andava com uma boa química e entrosamento ofensivo sendo todos jogadores com muitos minutos.

    De resto, é como dizes. Ou permitem este negócio, ou não permitem nenhum e ele vai-se embora no fim da época e passa esta época amuado.

    Por 300 milhões de euros, não haverá um milionário ultra fã dos Lakers que compre os Hornets já amanhã só por causa da transferência do Chris Paul?

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  2. Jack Nicholson :D
    Mas realmente, a NBA meteu-se num imbróglio e o senhor Stern já começa a ganhar bolor naquela posição... Step Down, Sir...

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  3. Optimo artigo Marcio!

    Nesta troca acho que quem fica a ganhar mais são até os New Orleans, pois até podem ficar com jogadores na idade dos 30, mas ficam com 3 jogadores que geralmente jogariam a titular em qualquer equipa da NBA (Scola, Martin e Odom que apesar de não ser titular nos Lakers é um dos melhores "sixth man" da liga) e ficam também com Dragic, um jogador que seria um bom "backup" em qualquer equipa da Nba, mas neste caso teria de ser o titular. Os Hornets poderiam se tornar ainda numa melhor equipa, pois tem ainda tecto salarial para tentar contratar Gilbert Arenas (passou um mau bocado nos Magic, mas acho que ainda tem alguma coisa para dar!.

    No caso dos Lakers acho que a troca tem duas faces: a primeira é que ficam com a melhor dupla de guards da Nba, com Kobe e Paul, mas em contrapartida ficam apenas com Bynum a Center e nenhuma opçao a PF, ou seja ficam com uma defesa péssima, e ainda por cima se Bynum se lesionar-se outra vez será o pesadelo para LA. No entanto, tudo pode correr se Paul falar com David West, ex-colega de equipa para se juntar á equipa, já que estes 2 possuem o mesmo objectivo, conquistar um anel. Se isto acontecer os Lakers ficam com um 5 de encher o olho: Bynum/West/Artest/Kobe/Paul.

    Por fim, acho que os Rockets são os que ficam a perder escandalosamente nesta troca. Não acho que Gasol um jogador já no fim de carreira valha 2 titulares (Martin e Scola) e um bom backup (Dragic), neste caso os Rockets acham que iam ficar com um plantel que se qualificar-se para os playoffs já será uma muito bom época.

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  4. A confirmar-se este negócio indica que os Lakers "desistiram" de Howard (pelo facto de Bynum não ser incluído neste negócio) ou então têm alguns free agents sob controlo, pois com este negócio perdem todo o poder interior. Qual a vossa opinião?

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  5. Pelo contrário, ao não incluirem Bynum no negócio, deixavam em aberto a possibilidade de o usar num negócio com os Magic por Howard.

    Mas a ESPN noticia hoje que os Lakers desistiram da troca por Chris Paul e, fartos de esperar pela resposta da NBA, retiraram-se do negócio. Vão enviar o descontente Lamar Odom para Dallas (a troco de escolhas no draft) e viram-se para Orlando e Howard como alvo prioritário.

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