17.12.11

Boletim de Avaliação - Southeast Division


E ontem começaram a rolar as bolas nos pavilhões da NBA. Não foi ainda nos jogos a contar, mas tivemos finalmente alguma acção dentro de campo. É claro que não vimos as equipas sequer perto do seu melhor (nem estavámos à espera disso), mas deu para matar saudades. Podem ver aqui os resultados (e resumos), mas isso é o menos importante agora, pois para já é altura de experimentar jogadores e tirar a ferrugem.

Se numa temporada normal, os jogos de pré-temporada já pouco ou nada nos dizem do rendimento real duma equipa e já pouco se assemelham aos jogos da temporada regular, então nesta, com tão pouco tempo de treino e com o período de free agency a coincidir com os training camps, ainda menos. Muitas equipas ainda não estão completas (ou têm jogadores que acabaram de chegar) e os jogadores utilizados e as suas rotações pouco ou nada têm a ver com o que vai acontecer na temporada. Por isso, nestes jogos pouco há para analisar. É ver e disfrutar dum pouco de basquetebol.

Já o que merece análise neste momento são as equipas. Quais as movimentações que cada uma fez, quem se reforçou melhor, quais as perspectivas para cada uma delas e essas coisas todas. À semelhança do ano passado, vamos fazer os nossos Boletins de Avaliação para as 30 equipas. Assim, para cada uma, vamos enumerar as entradas e saídas, dizer qual o cinco inicial provável, quais os elementos mais importantes a sair do banco, fazer um balanço da offseason e atribuir a nota. Vamos lá então, divisão a divisão, começando lá por baixo, pela Southeast Division:


BOLETIM DE AVALIAÇÃO - SOUTHEAST DIVISION


Atlanta Hawks

Saídas: Jamal Crawford, Damien Wilkins
Entradas: Keith Benson (draft, escolha nº 48), Tracy McGrady, Vladimir Radmanovic, Jerry Stackhouse
Cinco Inicial: Jeff Teague - Joe Johnson - Marvin Williams - Josh Smith - Al Horford
No banco: Kirk Hinrich - Tracy McGrady - Jerry Stackhouse - Zaza Pachulia
Treinador: Larry Drew

Balanço: Os Hawks são bons. Mas não bons o suficiente. Têm sido, nos últimos dois anos, bons para fazer temporadas de 50 ou mais vitórias, mas não bons o suficiente para chegar mais longe que a segunda ronda dos playoffs. E este ano não deve ser diferente. Perderam Crawford e para compensar, trouxeram veteranos que já viram os seus melhores dias passar há muito tempo, mas ainda podem dar uma ajuda. E talvez entre todos possam igualar a produção de Crawford. Mas basicamente é quase a mesma equipa do ano passado e não a melhoraram nesta offseason. O que dá para fazer uma boa temporada, dar alguma luta nos playoffs e ir para casa (dependendo de quem apanhem) na primeira ou segunda ronda.
Nota: 10

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Charlotte Bobcats

Saídas: Stephen Jackson, Shaun Livingston, Dominic McGuire, Kwame Brown
Entradas: Bismack Biyombo (draft, nº 7), Kemba Walker (draft, nº 9), Corey Maggette, Reggie Williams, Derrick Brown
Cinco Inicial: DJ Augustin - Reggie Williams - Corey Maggette - Tyrus Thomas - Boris Diaw
No banco: Kemba Walker - Gerald Henderson - Bismack Biyombo - Derrick Brown - DeSagana Diop - Eduardo Najera
Treinador: Paul Silas

Balanço: Os Bobcats estão de volta à estaca zero. Da equipa que foi aos playoffs há dois anos já não resta muita gente e Michael Jordan preferiu começar de novo do que ficar com uma equipa como os Hawks: bons para ir aos playoffs e pouco mais. E ainda falta muita coisa a esta equipa. Falta uma estrela, faltam marcadores de pontos (o melhor marcador o ano passado foi Augustin, com 14 pts/jogo), faltam soluções fiáveis no banco. Perderam dois jogadores do cinco (Jackson e Brown) e esperam que os dois rookies possam preencher esse espaço. Vamos ver se Kemba Walker é o scorer que precisam e se Biyombo é outro Serge Ibaka ou outro Yinka Dare (quem? exactamente!). Mas para já, a única certeza é que trocaram duas certezas por duas incertezas. A nota positiva na offseason é a contratação de Reggie Williams, que é um excelente atirador e pode dar uma ajuda importante no ataque. Mas este ano vão continuar lá por baixo e devem ter mais uma escolha alta no bom draft de 2012 para continuar a reconstrução.
Nota: 10

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Miami Heat

Saídas: Mike Bibby, Jamal Magloire, Zydrunas Ilgauskas (retirado)
Entradas: Norris Cole (draft, nº 28), Shane Battier, Eddy Curry
Cinco Inicial: Mario Chalmers - Dwyane Wade - Lebron James - Chris Bosh - Joel Anthony
No banco: Mike Miller - Udonis Haslem - Shane Battier - Eddie House - James Jones
Treinador: Erik Spoelstra

Balanço: Não conseguiram (para já?) o poste que precisavam para melhorar a defesa interior, mas adicionaram à melhor defesa exterior da NBA outro dos melhores defensores da liga. Battier é um jogador cuja contribuição para uma equipa é muito maior do que os números demonstram e o sobre-rendimento que os Rockets e os Grizzlies tiveram com ele no plantel não foi coincidência. Pode ser o jogador que faltava para levar os Heat até ao próximo nível. Para além disso, Wade e James, com um ano de experiência a jogarem juntos, devem conjugar-se melhor este ano e depois de James admitir que no ano passado deixou a animosidade em torno dos Heat afectar o seu jogo e afirmar que este ano está apenas preocupado em jogar e recuperar a alegria em campo, os Heat são mais uma vez um dos maiores candidatos ao título. Para já, a única mudança significativa foi a contratação de Battier, mas pode ser uma fundamental.
Nota: 13

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Orlando Magic


Saídas: Brandon Bass, Gilbert Arenas (amnistia)
Entradas: Justin Harper (draft, nº 32), DeAndre Liggins (draft, nº 53), Glen Davis, Von Wafer
Cinco Inicial: Jameer Nelson - Jason Richardson - Hedo Turkoglu - Glen Davis - Dwight Howard
No banco: Quentin Richardson - JJ Redick - Ryan Anderson - Chris Duhon
Treinador: Stan Van Gundy

Balanço: Bem, qualquer balanço dos Magic arrisca-se a ir por água abaixo a qualquer momento, pois a situação de Howard continua a ser incerta e pode ser trocado já esta temporada. Se isso acontecer, será altura de reconstruir em Orlando. Se Howard ficar até ao fim da temporada, continuam a ser uma equipa de topo no Este. Por isso, o objectivo nesta offseason é incerto também. Se trocarem Howard, o objectivo será conseguir o melhor pacote em troca. Se quiserem manter (ou tentar manter) Howard, o objectivo é reforçar a equipa e conseguir jogadores que o convençam a ficar. Só nesta segunda hipótese se explica a renovação de Jason Richardson. Já trocar Bass por Glen Davis pode servir tanto para o presente como o futuro. Mas nada é certo para os Magic neste momento. A equipa está num limbo e ter de planear  movimentações a pensar em dois cenários não é tarefa fácil. Por isso, temos de lhes dar duas notas (e nenhuma é muito boa):
Nota - para o objectivo de preparar a reconstrução: 9
           para o objectivo de manter Howard: 11

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Washington Wizards


Saídas: Josh Howard
Entradas: Jan Vesely (draft, nº 6), Chris Singleton (draft, nº 18), Shelvin Mack (draft, nº 34), Roger Mason, Ronny Turiaf
Cinco Inicial: John Wall - Jordan Crawford - Rashard Lewis - Andray Blatche - JaVale McGee
No banco: Jan Vesely - Ronny Turiaf - Trevor Booker - Roger Mason (e Nick Young? Ainda não renovou e ainda não sabemos se continua ou sai)
Treinador: Flip Saunders

Balanço: Outra equipa que não vai subir na hierarquia da conferência para já. Estão em plena reconstrução e ainda longe de serem relevantes. O plano foi manter o seu núcleo de jogadores jovens (Wall, Crawford, Blatche e McGee) e acrescentar mais (Vesely, Singleton e Mack). Entram também Mason e Turiaf, mas nenhum deles vem mudar os destinos da equipa. São mais dois jogadores para a rotação. E o plano deve continuar assim mais um ano pelo menos. Este ano ficam fora dos playoffs e para o ano devem voltar a ter uma escolha alta no draft para procurar mais uma peça com futuro. E talvez aí amnistiem Lewis e o seu gigantesco contrato e tentem entrar na luta por um free agent de topo. Mas este ano pouco mexeram.
Nota: 11


Não vai ser, nem de perto nem de longe, a divisão mais forte da liga. Um candidato ao título, um grande ponto de interrogação, uma equipa condenada à mediania e duas equipas em reconstrução. O título da divisão não escapa aos Heat, que é a única equipa da mesma que aspira a coisas grandes esta temporada. Não por coincidência, é também a única que fez uma contratação relevante e a que, por isso, leva a melhor nota.


(a seguir: Boletim de Avaliação - Central Division)

3 comentários:

  1. Sinceramente não apostava no Kemba Walker para ser um grande scorer no imediato. É um jogador sensacional, que, sendo 9º no draft (e não 5º), só não foi draftado numa posição mais alta por causa dos seus cms. Meia distância e penetração muito forte. Acrobático na senda do Derrick Rose. Mas imagino que terá algumas dificuldades de adaptação, tanto pela altura, como pelo estilo de jogo. Ainda vi uma série de jogos dele durante o March Madness e ele oscilava entre ter posse de bola e criar jogadas (sobretudo para ele próprio) e entre jogar off-ball (em boa parte por uma questão de gestão física). A ver como é que o põe a jogar. Fiquei fã dele (e doutros, durante o March Madness), mas não acredito numa primeira época bombástica.

    Ainda assim, concordo contigo, que a opção dos Bobcats é melhor do que a dos Hawks que nem tem equipa para sonhar sequer com finais de conferência, nem para sonhar com rookies. ;)

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  2. Obrigado pelo olho atento, Jorge, já corrigi o lapso! :)

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  3. VdeAlmeida18/12/11, 11:02

    Há duas transferências que podem condicionar tudo: além de Howard, como referes - resta saber se sair, para onde, mas de certeza que só aceitará ir para onde tiver garantias de ganhar o anel - Josh Smith está determinado em sair dos Hawks - pelo menos é o que consta - e isso alterará bastante a estrutura da equipa. Resta saber quem os Hawks receberão em troca.
    De qualquer forma, nem Josh irá melhorar muito qualquer outra equipa, nem me parece que os Hawks recebam reforços significativos, o que poderá abrir a outras equipas a entrada nos pla-off.

    Saudações a todos

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