19.9.12

Boletim de Avaliação - Detroit Pistons


Continuamos com os nossos Boletins de Avaliação e hoje vamos até à Motown ver se os Pistons continuam no limbo a que se condenaram em offseasons anteriores ou se fizeram alguma coisa para sair dele:


Saídas: Ben Gordon e Vernon Macklin (e Ben Wallace?)
Entradas: Corey Maggette, Kyle Singler (33ª escolha no draft de 2011), Slava Kravtsov, Andre Drummond (9ª escolha no draft), Khris Middleton (39ª escolha no draft) e Kim English (44ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Brandon Knight - Rodney Stuckey - Tayshaun Prince - Jonas Jerebko - Greg Monroe
Banco: Will Bynum - Kim English - Corey Maggette - Charlie Villanueva - Jason Maxiell - Andre Drummond
Treinador: Lawrence Frank

Balanço: Há duas ou três temporadas que estes Pistons se encontram atolados num limbo. Tentaram reconstruir a equipa e preparar o futuro e ao mesmo tempo manterem-se competitivos no presente. E acabaram por não fazer nem uma coisa nem outra. Desde 2009 (desde os muito-pouco-inteligentes milhões que ofereceram a Ben Gordon e Charlie Villanueva) que não atam nem desatam e são uma equipa sem rumo e sem plano. Mas este ano parecem ter escolhido finalmente uma direcção.

Começaram por assumir o fiasco que foram as três temporadas de Ben Gordon como Piston e livraram-se de um dos dois péssimos contratos que fizeram em 2009. Enviaram Gordon e uma 1ª ronda para os Bobcats em troca de Corey Maggette. É claro que Maggette não conta para os planos futuros dos Pistons e foi uma movimentação apenas para poupar dinheiro (trocaram os 25 milhões/2 anos de Gordon pelos 10 milhões do último ano de contrato de Maggette). E a 1ª ronda só vai para os Bobcats se os Pistons forem aos playoffs. Como isso não vai de certeza acontecer, vão mantê-la portanto. Por isso, não é um mau negócio.

Depois no draft, continuaram a pensar a longo prazo e arriscaram em Andre Drummond, um poste de 19 anos com muito potencial, mas ainda a precisar de muito desenvolvimento. É um projecto de jogador, mas escolhê-lo no 9º lugar do draft vale a pena o risco. Não estava já disponível nenhum jogador que pudesse ter um impacto imediato na equipa, por isso não tinham muito a perder em escolher Drummond. E se ele confirmar o seu potencial, a recompensa será grande.

Escolheram também Kim English, um jogador para uma posição que precisavam urgentemente de reforçar depois da saída de Ben Gordon e um jogador que, neste novo plano dos Pistons, vai ter tempo para se desenvolver. A única escolha menos compreensível é a de Khris Middleton, pois já têm muitos small forwards e têm um verdadeiro engarrafamento nessa posição (Prince, Maggette e ainda Kyle Singler). Mas, por outro lado, se pensarmos que Prince já está perto do fim da carreira e Maggette não faz parte dos planos para além desta temporada, é mais uma aposta a longo prazo.

Melhoraram um pouco no draft (mas foram essencialmente apostas a longo prazo) e na free agency não melhoraram nada (mas foi de novo uma aposta no futuro). Não melhoraram significativamente a equipa e vão continuar atolados no fundo da tabela, mas pelo menos nesta offseason escolheram um caminho claro e não fizeram burradas como nas anteriores. Não fizeram muito, mas pelo menos o que fizeram não fizeram mal. 

E se no próximo ano se livrarem do contrato de Villanueva (amnistia?), terão um bom núcleo jovem (Brandon Knight, Rodney Stuckey, Jonas Jerebko, Greg Monroe e Andre Drummond), mais uma escolha alta no draft e muito espaço salarial.

Este ano saíram finalmente do limbo renovação-continuidade e decidiram-se finalmente pela já-há-muito-necessária renovação. É um príncipio. E só por isso levam uma nota positiva. Ainda falta livrarem-se de Villanueva (e vamos ver se no próximo ano usam o espaço salarial que vão ter de forma mais inteligente que em 2009). Mas é um príncipio.

Nota: 10


(a seguir: Central Division - Indiana Pacers)

10 comentários:

  1. Hidrologic19/09/12, 18:57

    E bem bom :) é positiva lol

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  2. Olá Marcio :)

    No ano passado, lembro-me perfeitamente que deste um 9 à pre-season dos Pistons, e na altura discordei pois achava que as coisas não eram tão catastróficas, mas acabei por concordar no teu ponto de vista de que era um “ficar no limbo” o facto de renovar com o Tayshaun Prince.

    Falaste que a falta de renovação do plantel iria impedir que os Pistons pudessem ter uma equipa que possa no futuro, lutar pelo titulo da NBA. Não discordo.

    Na época passada, começaram a temporada com 4 vitórias e 20 derrotas, mas depois disso, conseguiram um record de 0.500 com 21 vitórias e 21 derrotas. Não estou a dizer que é uma coisa maravilhosa, mas se eles, com a equipa curta que tinha no ano passado, conseguiram 0.500 nos últimos 42 jogos, não poderão fazer melhor esta época, que têm mais e melhores opções?

    De salientar que os primeiros jogos da Regular Season de 2011-2012 começaram depois da chegada de um novo treinador, com ideias completamente diferentes do Kuester e que não teve tempo para treinar as tais mudanças durante a Pré-Season, foi chegar e jogar, assim como a chegada de um rapaz de 19 anos que pegou nas rédeas da equipa sem ter um Training Camp completo, falo do Brandon Knight.

    Este ano, apesar de não terem explorado a Free Agency (e bem, a meu ver), fizeram uma Off Season bem melhor e viraram-se, lá está, para o futuro.

    Apesar de não terem resolvido já o problema do Charlie Villanueva, penso que lhe vão dar este ano para provar o que vale. Esteve grande parte da Season passada lesionado, e os Pistons ainda querem ver o que ele dá, antes de o mandarem passear...

    Foram buscar o Kim English que poderá vir a ser um bom marcador de pontos vindo do banco, e com uma personalidade excelente.

    Foram buscar o Khris Middleton que, com as possíveis saídas de Tayshaun Prince e Corey Maguette na próxima temporada, poderá ter aí a sua oportunidade de brilhar.

    Foram buscar o André Drummond que tem o potencial para ser o próximo Dwight Howard ou o próximo Kwame Brown, mas mesmo assim, é um Upgrade no Front Court dos Pistons, pois ele “promete” ser o parceiro ideal para o Greg Monroe (que mais ano, menos ano, chegará ao All Star Game).

    Foram buscar o Slava Kravstov que é outro Big Man com bastante aptidão defensiva para defender o cesto.

    Se no ano passado, se falava que a falta de Size e de defesa no Roster dos Pistons era latente, este ano, deram-se os passos para resolver esses problemas e isso não é levado em conta?

    A diferença entre ficar no limbo e olhar (finalmente) para o futuro é de 1 valor?

    Não esquecer a saída do Ben Gordon, que foi a 2ª melhor coisinha que o Joe Dumars fez neste Pré-Season (depois de escolher o André Drummond).

    Depois de ler a tua opinião, que concordei com a maioria dos pontos que falaste, fiquei chocado ao ver o teu 10. Compreendo que é a tua opinião mas sou, respeitosamente, contra.

    Cumprimentos.

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    1. Concordo, foram dados passos importantes. Claro que é ainda muito cedo para prever se estas decisões terão algum sucesso em termos concretos, mas ainda assim, acho que a nota poderia, ou deveria, ser substancialmente melhor.

      Abraço Márcio

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  3. Papa Valdemares20/09/12, 01:57

    É pá, nem sei o que escreva. Os Pistons nunca me cativaram - desde as «Jordan rules» -, exceto quando aviaram os Lakers.

    Atualmente, são mais uma daquelas equipas que ninguém vê ou sente saudades. Quanto à nota, parece-me alta. A única coisa que justifica a positiva é o terem despachado o Gordon.

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  4. "Atualmente, são mais uma daquelas equipas que ninguém vê ou sente saudades."

    A sério?! Não deves conhecer muito da história dos Pistons... Going to Work e Bad Boys, diz-te alguma coisa?

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    1. Nuno, toda a gente se lembra dos bad Boys. E se calhar, é por causa disso, que não têm muitas simpatias, nomeadamente, e como refere o Papa Valdemares, devido às "Jordan Rules".
      Essa equipa era forte, tinha grandes jogadores como Joe Dumars (parece que é sina, grandes jogadores não terem dedo para escolhas, vidé o caso de Dumars e Jordan) e Isiah Thomas, mas a sua maneira de jogar, com muitas jogadas subterrâneas, e outras bastante violentas, coisas que na altura não era (e acho que ainda não é) muito bem visto na NBA.
      Nunca, até hoje, outra equipa teve a falta de fair-play dos Pistons ao abandonarem o terreno antes de terminar o jogo em que foram eliminados pelos Bulls, só para não cumprimentar os adversários.
      Não te parece suficiente para que não tenham muitas simpatias?

      Uma nota para o apontamento de Valdemares acerca da dispensa de Gordon: nunca percebi como é que um jogador desce tanto de produtividade, ao passar de uma equipa para outra. Essa seria uma questão curiosa a debater.

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    2. Papa Valdemares20/09/12, 22:37

      Tem paciência, mas não percebeste o uso do advérbio de tempo: «ATUALMENTE».

      Alguém - além dos adeptos, obviamente - fica em pulgas para ver jogar os atuais Pistons?

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  5. Uma coisa é reunir simpatias, outra é deixar saudades... Ninguém tem saudades de ver os Pistons nas finais da Conferencia Este de 2003 a 2008?

    E isso de ninguém gostar de jogadas violentas ou de atitudes, é uma treta, porque os Die-Hard Fans da NBA hoje em dia, olham para o jogo e tem saudades do Trash Talk, das faltas feias, do jogo agressivo.

    Ah, e os Bad Boys não são só o Isiah e o Dumars... Tinham o Rick Mahorn, o Bill Laimbeer, o Dennis Rodman, o Mark Aguirre, o Vinnie Johnson, o John Salley foi uma equipa que vai ficar para sempre na história... E a comanda-los, um dos melhores treinadores de sempre, Chuck Daly. Eles não venceram os Bulls só por serem violentos...

    Os tempos agora são diferentes... Agora não se pode olhar de lado para o arbitro que são logo expulsos do jogo ou levam uma tecnica... E acreditem que muitos fans da NBA sentem falta da vertente mais fisica do jogo.

    O caso do Ben Gordon é psicológico, claramente. Este ano, contra os Nuggets, teve 9 triplos num só jogo, mas nos jogos a seguir, eclipsou-se... Chegou aos Pistons com a ideia de que ia ser titular, mas apanhou com o Rip Hamilton... Só na epoca passada teve o lugar de SG a seu bel-prazer, mas o Rodney Stuckey, com a chegada do Brandon Knight, mandou-o outra vez para o banco (e bem). Fiquei bastante satisfeito por o ver fora do Pistons!

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    1. Nuno, eu não falei das equipas de 2003 e 2008, falei somente dos Bad Boys. Sinceramente, não ligo nada para as opiniões dos Die Hard fans da NBA. Sempre fui acérrimo defensor do fair-play dentro e fora de campo. Não me parece que alguém na NBA tenha apoiado o Metta quando ele agrediu Harden, nos últimos play-offs
      Mas acho que trash-talking não tem que ver com isso, sempre foi e será uma das componentes psicológicas do jogo. Qualquer dos grandes jogadores a usa(va)m
      Larry Bird era um dos grandes trash talkers do jogo, tal como agora o é Garnett.
      Eu sei que os Bad Boys não eram só Isiah e Joe. Só 2 jogadores não fazem uma equipa. Mas não era bonito ver jogar Laimbeer ou Mahorn, que eram os principais distribuidores de "fruta" embora Mahorn até nem fosse mau tipo, mas deixava-se levar. Agora o que todos sabem é que Isiah era o mentor da equipa, juntamente com Dale, que era sim, um grande treinador, e até foi o treinador da equipa olímpica de 1992, aquela que ele curiosamente, uma vez disse que, com a qualidade que tinha, nem precisava de treinador.
      Os Pistons venceram os Bulls, por que os Bulls na altura tinham uma equipa demasiado jovem e os Pistons, uma equipa matreira.
      Admito que possa haver um exagero na marcação de faltas, mas continuo a ter a mesma opinião sobre as entradas violentas: nas regras do basquete, é proibido o contacto físico.
      Agora, quanto ao Gordon...bem, eu referi-me a ele, mas ele está longe de ser o único a descer muito de produção ao saltar de uma equipa para outra, muitas vezes até, com um contrato muito superior.

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