4.9.13

Boletim de Avaliação - Boston Celtics


Foi uma offseason muito animada. Entre um draft surpreendente, uma free agency com muitas mexidas, equipas já fortes a reforçarem-se ainda mais, equipas medianas a ficarem melhores e equipas em reconstrução a apostarem ainda mais nessa reconstrução (aka tanking à força toda, para se posicionarem para o tão aguardado draft de 2014), a offseason deste ano foi uma das mais movimentadas (e imprevisíveis) dos últimos tempos. 

Vamos então ao longo do próximo mês avaliar como cada uma das 30 equipas se portou neste defeso e como se prepararam para a(s) próxima(s) temporada(s), começando pela costa este e lá por cima, pela Atlantic Division. Para estrear a edição de 2013-14 dos nossos Boletins de Avaliação, os Boston Celtics:



BOLETIM DE AVALIAÇÃO - BOSTON CELTICS

Saídas: Kevin Garnett, Paul Pierce, Jason Terry, Fab Melo, Terrence Williams, Chris Wilcox
Entradas: Gerald Wallace, Kris Humphries, MarShon Brooks, Keith Bogans, Donte Greene, Kelly Olynyk (13ª escolha no draft), Phil Pressey (undrafted), Vitor Faverani (free agent, jogava em Espanha, no Valencia)
Cinco Inicial: Rajon Rondo - Avery Bradley - Jeff Green - Brandon Bass - Kelly Olynyk
Banco: Jordan Crawford - Courtney Lee - MarShon Brooks - Gerald Wallace - Jared Sullinger - Kris Humphries - Vitor Faverani
Treinador: saiu Doc Rivers, entrou Brad Stevens

Balanço: Esta offseason, os Celtics aceitaram finalmente as evidências, convenceram-se finalmente que era hora de reconstruir e fizeram o que, na nossa opinião, já deviam ter feito há mais tempo: trocaram Paul Pierce e Kevin Garnett. Em troca, para além dos horríveis contratos de Gerald Wallace e Kris Humphries, conseguiram um shooting guard com algum potencial (MarShon Brooks) e (mais importante) três primeiras rondas no draft.

Foi o melhor negócio para a equipa de Boston? Como dissemos em Julho, na altura da troca, foi o negócio possível. Os Celtics esperaram tempo demais para começar a reconstrução e quando o fizeram, já não tinham tantas opções como em oportunidades anteriores. Abdicaram do presente sem conseguir qualquer peça relevante para o futuro. É verdade que conseguiram jogadores e contratos para libertar espaço salarial e ficaram com muitas escolhas no draft, mas podiam ter conseguido mais se tivessem dado este passo mais cedo.

Podia ter começado melhor a reconstrução, mas agora não havia muito a fazer. Era uma questão de conseguir o melhor possível. E a verdade é que ficaram com muita flexibilidade e muitas possibilidades.

Parecem ter um jogador com potencial em Kelly Olynyk e têm alguns jovens que podem fazer parte de um núcleo da equipa no futuro (Jeff Green, Jared Sullinger, Avery Bradley; e Brandon Bass, Courtney Lee ou Rajon Rondo ainda são jogadores jovens e com muitos anos para dar). Para além disso, com tantas escolhas no draft (três 1ªs rondas em 2014, duas em 2015, duas em 2016, duas em 2017 e duas em 2018), têm muitas oportunidades para encontrar bons jogadores. O senão é que as escolhas que receberam dos Nets não serão altas e a melhor hipótese de conseguir uma das primeiras escolhas no draft será com as suas próprias escolhas.

Só que com a equipa que têm (que não é boa, mas também não é terrível), arriscam-se a ficar ali pelo meio da tabela (ali à porta dos playoffs) e não conseguir uma dessas primeiras escolhas no draft (ou com poucas hipóteses de as conseguir).

Quanto à mudança de treinador, foi forçada, não era desejada por Danny Ainge, mas a alternativa encontrada pode revelar-se bastante positiva. A aposta em Brad Stevens é uma aposta com pouco risco e que pode ter uma grande recompensa. Se correr bem e Stevens conseguir o inédito salto com sucesso da NCAA para a NBA, têm um treinador para o futuro (e Stevens, na teoria, é um treinador com perfil para fazer esse salto com sucesso, pois junta duas competências que podem ser perfeitas para esta equipa: primeiro, pela experiência universitária e porque era isso que fazia na NCAA, é um bom treinador para desenvolver jogadores jovens; segundo, porque é um treinador da nova geração, que se apoia em estatísticas avançadas e que parece capaz de ser também um estratega de peças já desenvolvidas; portanto, uma combinação de professor e gestor, o que pode ser exactamente o que estes Celtics precisam).

Por outro lado, se correr mal, não perdem nada (porque os próximos dois anos - pelo menos - não são para lutar por nada ainda) e ainda podem ter o bónus de melhorar as suas hipóteses de ganhar uma escolha mais alta. Low risk, high reward. Mas tudo ainda em aberto, tal como no plantel.

Pela decisão de reconstruir e por terem feito o que tinham a fazer, levam uma nota positiva. Mas porque as movimentações não lhes renderam nenhuma peça importante para o futuro e por estarem entregues à lotaria do draft (e porque as escolhas poderão não ser tão altas como precisavam para encontrar franchise players), não lhes podemos dar mais. 

Foi uma offseason competente, fizeram o que tinham a fazer, mas o futuro está completamente em aberto. O trabalho está todo por fazer nos próximos anos e este ano apenas se posicionaram para começar esse trabalho. Os Celtics limitaram-se a arar a terra. O mais importante é o que irão agora plantar nessa terra e se irão colher frutos no futuro. Deram o passo certo, mas era o passo inevitável. O importante vem a seguir. Por isso, para já, não lhes podemos dar mais.

Nota: 10

8 comentários:

  1. Márcio, o contrato do Kris Humphries expira no final desta época, é longe de ser horrivel. O do Wallace sim, com ainda 3 anos é muito mau. O Danny Ainge na proxima época fará com certeza um esforço para trocar o jogador, vamos ver se alguma equipa o quer. Quanto ao resto, acho que a tua avaliação faz justiça à offseason dos C's. Abraço

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    1. Sim, não me expliquei como deve ser, horrível pelo valor, mas com essa vantagem/atractivo de ser um contrato que expira esta temporada! :)

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  2. Será que o Olynyk vai mesmo ser titular?

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    1. Neste momento, não têm ninguém melhor. E se é para desenvolver, é metê-lo a jogar!

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  3. os celtics não têm o Melo?

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    1. Já não, enviaram-no para os Grizzlies (que entretanto já o dispensaram também...).

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  4. Estou muito confiante no Olynyk para a próxima temporada e para o futuro. Fez uma excelente summerleague, vamos agora ver a adaptação à liga.
    Quanto ao Fab Melo, acho que foi a melhor opção. Na minha opinião não tinha qualquer potencial para qualquer equipa da NBA.
    Apesar de todas as mudanças, acho que os celtics não ficaram tão fracos, e pode até conseguir lutar pelo 8 seed na conferencia. Mas mais tal como o ano passado, sem opções de valor no banco acho que se atingirem os playoffs ficam pela primeira ronda.

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