7.9.13

Boletim de Avaliação - New York Knicks


Continuando a avaliação das equipas da Atlantic Division, depois dos Brooklyn Nets, passamos aos seus vizinhos e rivais do outro lado do rio:



BOLETIM DE AVALIAÇÃO - NEW YORK KNICKS

Saídas: Jason Kidd (retirado), Rasheed Wallace (retirado), Steve Novak, Marcus Camby, Chris Copeland, Quentin Richardson, James White
Entradas: Andrea Bargnani, Metta World Peace, Beno Udrih, Jeremy Tyler, Tim Hardaway Jr. (24ª escolha no draft), CJ Leslie (undrafted)
Cinco Inicial: Raymond Felton - Iman Shumpert - Carmelo Anthony - Andrea Bargnani - Tyson Chandler
Banco: Pablo Prigioni - Beno Udrih - JR Smith - Metta World Peace - Amare Stoudemire - Kenyon Martin - Jeremy Tyler
Treinador: Mike Woodson

Balanço: O primeiro objectivo que os Knicks tinham à entrada para esta offseason era renovar com o Sexto Homem do Ano e a arma principal que tinham no banco da equipa, JR Smith. Este foi cumprido facilmente e Smith renovou por 3 anos e 18 milhões. Não é um negócio espectacular para os Knicks (ainda por cima quando Smith é operado ao joelho dias depois de assinar), mas um jogador como JR Smith por 6 milhões por ano também não é terrível.

O outro objectivo (como para qualquer equipa que está ali quase e à beira duma candidatura ao título) era melhorar a equipa e tentar encontrar aquela(s) peça(s) que falta para os levar a outro patamar. E, com isso em vista, trocaram Steve Novak, Marcus Camby, Quentin Richardson (e umas escolhas no draft, uma 1ª ronda em 2016 e duas 2ªs rondas, em 2014 e 2017) por Andrea Bargnani.

E o italiano (apesar dos defeitos conhecidos: fraco na defesa e nos ressaltos) é uma boa peça para esta equipa dos Knicks. Porque, no ataque, é um encaixe muito melhor com Carmelo do que Amare Stoudemire (e na defesa também não é pior que Amare!). Bargnani é um extremo-poste que gosta de jogar no exterior e lançar de fora, o que liberta mais espaço no interior para jogadas de isolamento de Carmelo. Com Stoudemire e Chandler no interior, Carmelo ficava com pouco espaço para penetrar e/ou jogar de costas para o cesto. Com Bargnani isso não será um problema e o italiano pode ficar pelo perímetro como gosta.

Stoudemire poderá continuar a sair do banco, num papel onde se deu bem na temporada passada (14.2 pts a partir do banco). Na segunda unidade terá mais oportunidades no ataque e os Knicks evitam assim a incompatibilidade deste e de Carmelo.

E com o que deram em troca de Bargnani, não foi, de todo, um mau negócio. Ganham um jogador para o cinco -  e um jogador que lhes dá uma rotação mais equilibrada - em troca de alguns jogadores secundários.

O único senão foi perderem Chris Copeland para os Pacers. Mas a contratação de Bargnani também acaba por compensar essa saída. Copeland era um bom jogador, mas, no balanço geral, Bargnani no cinco e Stoudemire e Kenyon Martin (outra das renovações) no banco dá uma rotação melhor que Stoudemire no cinco e Martin e Copeland no banco (no ano passado, com a lesão de Stoudemire, tiveram essa rotação durante pouco tempo; mas era a que teriam esta temporada, sem Bargnani; por isso ficaram com uma melhor).

Para além dessa troca principal, juntaram mais algumas peças úteis e mais novas: Beno Udrih, Metta World Peace, Jeremy Tyler e Tim Hardaway Jr.

O ano passado eram a equipa mais velha da liga e um dos problemas foi o gás acabar para alguns desses veteranos quando chegaram os playoffs. E outros deles nem chegaram lá. Jogadores como Rasheed Wallace e Kurt Thomas não se conseguiram manter livres de lesões e durar a temporada toda.

Nesta offseason rejuvenesceram-se um pouco (ou bastante: este ano a média de idades é 4 anos inferior), ficaram mais profundos e com jogadores mais duráveis (capazes de render mais tempo e até ao fim da temporada).

Udrih pode não ser tão bom como Kidd, mas pode contribuir o mesmo (ou mais; e durante mais tempo) do que Kidd rendia aos 40 anos (e foi gigante a quebra de Kidd no fim da temporada passada). Por isso, entre um Kidd sem pernas e incapaz de jogar a um terço do seu pontecial e um Udrih fresco, também não saem a perder.

Idem para World Peace, Hardaway e Tyler. Nenhum deles é um jogador que vá mudar o destino da equipa por si só, mas todos eles podem dar minutos de qualidade (na temporada regular, principalmente) e poupar os veteranos.

Em termos de nomes, não se reforçaram de forma espectacular, mas fizeram boas contratações que lhes darão produção até mais tarde na temporada, jogadores que durarão até aos playoffs. E isso pode fazer bastante diferença nessa fase decisiva. Por isso, não foi uma offseason espectacular, mas foi boa.

É claro que a questão nestes Knicks continuará a ser o jogo colectivo (ou a falta dele) e a movimentação de bola no ataque nos playoffs, quando as equipas se enfrentam várias vezes seguidas e já conhecem todas as armas do adversário. Aí, o 1x1 excessivo e as isolações continuarão a ser um problema. Mas isso é algo que não depende dos dirigentes. Estes fizeram o seu trabalho e melhoraram o plantel. Agora é com MIke Woodson e os seus jogadores.

Nota: 12

10 comentários:

  1. Este plantel não me convence, apesar das melhorias que referiste, especialmente pelo que está escrito no teu último parágrafo, e quem tem Carmelo Anthony não tem jogo colectivo. O mais grave é que ele nem noção tem que prejudica muito a equipa, e então depois de ter sido nomeado para o prémio de MVP até deve achar o oposto.
    Na minha opinião, se não acontecer nada de muito estranho, Heat, Pacers, Nets e Bulls (caso tenham Rose a 100%) serão melhores que os Knicks com grande diferença.

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    1. Aladeen

      Discordo completamente. O Carmelo deve ser o jogador da NBA que mais sofre de preconceito.

      Tiveste o cuidado de ver algum jogo dos Knicks do ano passado? Uma equipa que atingiu as 54 vitórias com lesões prolongadas em jogadores como Felton, Camby, Shumpert, Amare, Rasheed e Chandler?

      Como é que uma equipa liderada por um jogador que "não tem noção que prejudica muito a equipa" atinge 54 vitórias numa época (incluindo 5 vitórias e apenas 2 derrotas contra os finalistas Spurs e Heat)????

      Ainda por cima um jogador que, ao contrário de outras super-estrelas, não se esconde na defesa a defender o jogador mais fraco da equipa adversária, é, isso sim, fustigado fisicamente pelo PF dos adversários.

      As isolações do Carmelo foram o ponto de partida do ataque dos Knicks que deu muito bom resultado durante a época regular porque havia mais gente a meter a bola no cesto.
      Esse não foi o problema, nem sempre o trabalho altruísta de Melo aparece nas estatísticas porque ele é apenas o ponto de partida e a bola passa por ainda mais 1 ou 2 jogadores antes de chegar ao lançador.

      A bola nos playoff não ficou "presa" porque Carmelo assim o decidiu mas porque as outras armas ofensivas desapareceram e obrigaram Carmelo a assumir.
      Chegaste a reparar que J.R. Smith, que foi o 2º melhor marcador da equipa e 6º melhor jogador da NBA fez uns playoff horríveis?
      Reparaste que o melhor triplista da equipa, Novak foi uma nulidade?
      E que Kidd desde Janeiro ou Fevereiro passou a um completo 0 a nível ofensivo?

      Se tu és Carmelo e tens à tua volta Felton, Priggioni, Shumpert e Chandler ou Felton, Shumpert, K-mart e Chandler como 5 iniciais vais fazer o quê? Primeiro tentas que eles façam alguma coisa mas a maioria das vezes tens mesmo que lançar porque os outros simplesmente não o sabem fazer.

      Quanto à tua previsão de que Nets e Pacers ficarão à frente dos Knicks com "grande diferença" também discordo:

      1º Os Knicks no ano passado atingiram 54 vitórias. Este ano a concorrência está mais forte mas os Knicks também pelo que espero um recorde semelhante. O que será uma "grande diferença? 10 jogos? Acreditas que essas 4 equipas vão todas atingir pelo menos 60 vitórias?
      2º Já no ano passado Boston, Pacers e Nets eram colocados à frente dos Knicks mas a equipa de NY acabou apenas com os Miami por cima.

      SD,
      Xait

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    2. Quanto ao post em si acho que está muito bem avaliado.

      Os Knicks para melhorar a equipa tinham uma mão cheia de nada e outra com apenas contratos pelo mínimo veterano.

      Com isso conseguirem renovar com o 6º melhor jogador da época passada, renovar com Priggioni e K. Martin que muito jeito deram e acabaram por ser cruciais na época passada, conseguir um 2º/3º base muito capaz como Udrih, conseguir um jogador com capacidade para criar o próprio tiro, "dar centímetros" à equipa e espaçar o ataque como Bargnani, e ainda MWP jogador experiente, campeão que permitira Carmelo jogar a 4 no ataque e a 3 na defesa para além de que poderá compensar a menor capacidade defensiva de alguns jogadores é obra.

      Pessoalmente, fazendo o rácio do que os Knicks tinham para oferecer e o que os Knicks conseguiram, imaginaria uma nota bem mais alta para este defeso.

      Quanto ao jogo dos Knicks e como já disse na resposta ao comentário anterior, não digo que seja uma falsa questão mas é pelo menos "meio falsa".
      Digo meia porque acho que Woodson (e não Melo) usa e abusa das isolações. Já assim era nos Hawks.
      No entanto eu vi a equipa durante a época regular a rodar muito bem a bola, acredito mesmo que o principal problema nos P.O. foi a falta de armas ofensivas. Quer se queira quer não os Pacers conseguem ser uma defesa de elite e sem ninguém para ajudar Melo e com Chandler a ser completamente controlado por Hibbert não vejo esquema ofensivo que pudesse safar os Knicks.

      Este ano com a evolução de Shumpert, com Bargnani, possivelmente com mais minutos de Amare, com um Carmelo com "pernas frescas" no ataque, JR Smith não pode fazer uns playoff piores, assim como Udrih e Hardaway Junior só poderão fazer mais que Kidd e Novak espero uns Knicks bem mais fortes e com outras soluções ofensivas na altura das decisões.

      Perdem Copeland que é um jogador que admiro, mas que Woodson inexplicavelmente praticamente não o usou quando era preciso.

      SD,
      Xait

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  2. Concordo com tudo Márcio. Passa à próxima equipa (suponho que sejam os 76ers).

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  3. João

    54 vitórias porque pertencem à Conferência Este. Na Oeste nem para perto disso.Até os Rockets (8ºs no Oeste em 2013) se batiam com eles (e este ano mais ainda). As duas vitórias dos Knicks contra os Heat na fase regular foram completamente justas, mas os Heat ainda viviam com a cabeça no titulo de 2012. Assim que o chip mudou, acabou-se. O Carmelo é tão bom defensor que até na época passada dizia que sabia das suas capacidades defensivas, e que apenas não as utilizava porque faltava mentalidade e força de vontade para tal. Acho que isso realmente é de craque,e notou-se bem dali para a frente, porque a maré do "Melo bom defensor" foi muito passageira.
    O altruísmo do Carmelo que conheço é mais uma média de 30 lançamentos por jogo, com 10 ou 12 convertidos.
    Os outros jogadores dos Knicks desapareceram nos playoffs? Tens alguma razão, mas não encobre tudo. Então se fosse só isso, talvez eles admitissem, e não ocorriam indirectas para o Melo e o Smith da parte do Chandler durante a série contra os Pacers.
    Também falaste do 5 inicial dos Knicks como uma nulidade, quando eu acho que era melhor que o dos Pacers, e em jogo interior era melhor que os Heat. Foi mal aproveitado e a defesa unida e sólida dos Pacers tramou-os, porque o jogo era em função do Melo. Se era ideia ou não do treinador que assim fosse, aí não faço ideia.
    Por fim, acho que os Knicks não chegam às 50 vitórias esta época, enquanto prevejo Heat e Pacers perto ou mesmo na casa das 60. E sim, para mim 10 vitórias de diferença têm significado e nos playoffs as diferenças no sucesso notar-se-ão mais ainda, devido ao que o Márcio referiu no seu último parágrafo.

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    1. Aladeen

      Desculpa lá mas seja em que conferência for 54 vitórias não são fáceis de atingir.
      Então e Celtics? E os Nets? E os Pacers? Tudo equipas que supostamente iam ficar à frente dos Knicks? Como é que os Knicks ficam à frente e chegam a esse número com um mau líder?

      Os Knicks não tiveram 2 vitórias frente a Miami, tiveram 3. Mas claro que o único de 4 jogos que deve contar é... a vitória de Miami. Claro que ganhar em Oklahoma também é fácil, claro que ganhar os 2 jogos a S. Antonio é porque estes estavam numa de caridade...

      É tudo obra do acaso e com um Carmelo a ser egoísta, imagino se jogasse bem.

      E eu não disse que o Carmelo era bom defensor, disse que ele defende o PF adversário. Já imaginaste o que é levar um jogo todo com o David West??? Imaginas o que isso faz ao teu corpo e mente para o ataque seguinte?

      Quanto as indirectas de Chandler... Eu nunca as entendi como direccionadas para Carmelo mas sim para JR que estava numa fase que não conseguia acertar numa banheira mas mesmo assim continuava a lançar de todo lado. E o próprio Chandler (que tu deves achar melhor que o Hibbert) estava a ser completamente dominado na sua posição.

      O 5 dos Knicks melhor que o dos Pacers? Então se não houver Carmelo quem é que de Felton-Priggioni-Shumpert-Chandler tem capacidade de desequilibrar e/ou criar algo ofensivamente? Quem vai jogar de costas para o cesto como Hibbert e West conseguem?

      O teu problema com Carmelo é o problema da maior parte dos analistas da NBA, olham para estatísticas e números em vez de avaliar o que se passou nos jogos porque não há tempo para seguir todas as equipas com 100% de atenção.
      Olhas e vês 30 lançamentos com 12 convertidos mas não tens o cuidado de ver quantas vezes teve ele que lançar com o relógio a atingir os 24 segundos para tentar safar um mau ataque da equipa ou quantas vezes ele dá pequenas 3 ou 4 tapinhas em ressalto ofensivo que contam como 3 ou 4 lançamentos.

      Os Pacers não tramaram os Knicks porque o jogo foi em função de Melo, tramaram porque tu não vais vencer uma meia final de conferência em 7 jogos sem uma 2ª opção ofensiva.

      Ou pior... quando a tua 2ª opção está a lançar a menos de 30%. Sem Jr Smith, sem Amare, sem Kidd, o Chandler e o K. Martin não lançam se quer, priggioni um triplo de vez em quando... Como dás a volta a uma defesa de elite?!?
      Por exemplo... Será que os Heat conseguiriam ganhar aos Pacers com o Wade a marcar 3 em 20 durante uma série inteira e com o Bosh a ser um não factor ofensivamente???

      O Carmelo fez os possíveis e os impossíveis. É uma tremenda injustiça manter-lhe os rótulos que têm mantido depois do que ele fez no ano passado.

      Por fim, espero que os analistas das casas de apostas continuem a desvalorizar os Knicks como fizeram no ano passado e como tu estás a fazer. No ano passado ganhei 200€ porque previ que atingiam pelo menos as 47 quando todos diziam o contrário e este, ano pelo o que estou a ver, vou-me safar outra vez :)

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    2. Aladeen

      Os Celtics estavam a desarmar-se e tal como o Márcio sempre insistiu nos posts, estavam prontos a reconstruír,e mesmo assim ganharam 2 jogos aos Knicks nos playoffs. Os Nets estão a começar, mas acredito que com o plantel deste ano seja mais que suficiente para os ultrapassar. Podem ter ganho esses jogos que falas aos Thunder e aos Spurs, mas vês essas duas últimas equipas, que pertencem a uma conferência mais competitiva e vês que tiveram melhor recorde que eles e já diz o ditado há muito tempo: Individualidades ganham jogos, equipas ganham campeonatos.
      Quanto às mazelas fisicas e mentais de defender o PF adversário, ninguém disse que a NBA era fácil e só os melhores se aguentam. Por exemplo, não é por acaso que o LeBron venceu 4 mvp's nos últimos 5 anos, e uma das razões é por ser o mais completo a defender, seja em que posição for contra quem for. Eu sei que ele não defendeu o West nos playoffs contra os Indiana, mas caso tivesse sido necessário teria-o defendido e seguramente melhor que o Carmelo.
      Essa dos lançamentos em cima dos 24 segundos não cola e a parte dos lançamentos falhados não diz tudo, claro que não, mas falei-a porque é dos aspectos mais relevantes. Eu vi vários jogos dos Knicks e vi sempre o Melo a querer assumir o lançamento por força, independentemente da situação e nos playoffs foi idêntico e daí eu não comprar essa dos outros é que terem tido quebras terríveis. Nem a do JR Smith eu compro, porque o seu jogo é assim e claro que nos playoffs apanhou defesas sólidas como os Celtics e os Pacers e viu-se o que valia. E sim, o Chandler foi dominado pelo Hibbert, e claro que quando há problemas numa equipa todos podem pagar excepto o que mais gostamos.
      Contra os Pacers o Wade apenas jogou bem no jogo 3 e o Bosh esteve muito irregular, mas quando se tem o LeBron as possibilidades de vencer aumentam, especialmente porque ele faz com que os companheiros sejam melhores, tal como o Paul e o Durant, ao contrário do Carmelo, que até ja queimou o Stoudemire. São incompativeis, e a culpa foi sempre do Stoudemire ;)
      Quanto às tuas apostas, espero que tenhas sorte e na fase regular até te podem calhar as 47 vitórias (falei em menos de 50 no comentário acima),mas nos playoffs, a não ser que aconteçam grandes mudanças, não vão longe.

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    3. * no início é João e não Aladeen. Confundi com a zona de escolher o nosso nome.

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  4. Márcio, quando me "queixei" no artigo dos esquerdinos.... era por sentir falta do que fazes neste!!! O detalhe!!! MUITO BOM!! Bem analisado o encaixe (ou não, veremos....) do Bargnani, entre outros. PARABÉNS! Continua.

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