5.4.12

A arte do tanking


Um dos temas na ordem do dia na NBA dá pelo nome de tanking. Já sem chances de se apurarem para os playoffs (ou com essa possibilidade já remota), equipas do fundo da tabela desistem da temporada, começam a perder jogos de propósito (ou pelo menos começam a não fazer tudo para os ganhar) para terminar com um recorde pior e aumentar as hipóteses de conquistar um dos primeiros lugares do draft.

Como sabem, o draft da NBA foi criado para manter o equilibrio competitivo da liga, oferecendo às equipas mais fracas a possibilidade de recrutar os melhores jogadores universitários disponíveis. As 14 equipas que não se apuram para os playoffs entram numa lotaria para determinar a ordem de escolha no draft desse ano. A cada equipa é atribuído um determinado número de bolas e quanto pior fôr o recorde da equipa nessa temporada regular, mais bolas são-lhe atribuídas. Logo, quanto pior o recorde, maiores as possibilidades de lhe sair a primeira ou uma das primeiras escolhas.

Esse sistema de paridade é uma característica que define a NBA e foi criado para promover a competição e a competitividade de todas as equipas. Para não terem um campeonato onde ganham sempre os mesmos e para, teoricamente, todas as equipas terem a possibilidade de lutar por títulos. Mas não é um sistema perfeito. E o que foi criado a pensar no melhor para a competição, tem também o efeito perverso de premiar as equipas medíocres e a incompetência. Um general manager que faça uma gestão péssima da sua equipa, que contrate os jogadores errados, que faça más trocas e condene a sua equipa ao fundo da tabela pode ser recompensado com o melhor jogador universitário do país. 

Para os Bobcats? Nooooooooooo!!!

Nenhuma equipa quer perder sempre ou trabalha para isso, mas perder durante algum tempo pode valer a pena. A recompensa por ser o saco de pancada da liga durante uma temporada ou duas pode ser uma super-estrela que mude o destino da equipa e a transforme numa equipa de topo.

E com um prémio tão aliciante, muitas parecem fazer isso propositadamente. Quando já veem o apuramento para os playoffs por um canudo, começam a rodar todo o plantel, começam a usar os jogadores menos utilizados e perder não parece ser a sua maior preocupação. O que é contrário ao princípio competitivo do jogo e é como fazer batota, apontam os seus críticos. 

Esta tem sido a discussão do momento no mundo da NBA. No meio da discussão, têm sido sugeridas muitas formas de combater o fenómeno e impedir as equipas de fazer tanking. A minha preferida é esta que Bill Simmons sugere neste artigo no Grantland: criar um torneio a eliminar para conquistar a oitava posição e última posição nos playoffs e dar às equipas não apuradas possibilidades iguais de ganhar a lotaria.

A segunda parte da solução de Simmons é um sorteio directo entre as equipas que não se apurassem para os playoffs. 14 envelopes com os nomes das equipas e tira-se à sorte as posições do draft. Todas elas teriam a probabilidade de ganhar o primeiro lugar.

Mas a melhor parte da solução era o que acontecia antes disto: os primeiros sete classificados da cada conferência apuravam-se para os playoffs. Faziam depois um torneio entre as restantes 16 equipas, ficando os vencedores com as últimas vagas nos playoffs. É uma grande ideia. Para além de desencorajar o tanking, ainda acrescentava mais um momento emocionante à temporada. Entre o fim da temporada regular e o começo dos playoffs, tinhamos um torneio duma semana. 14 jogos, 8 na primeira ronda, 4 na segunda ronda e depois duas finais para decidir quem ficava com as essas vagas. Um playoff para os playoffs? Manda vir!

8 comentários:

  1. LOL adorei a foto do Anthony Davis e o comentário por baixo :)

    A arte do Tanking, aquilo que os meus Pistons não estão a fazer!! Ainda na Terça venceram os Magic em casa! E "arriscam-se" a ganhar amanha frente aos Wizards... Mas ao menos, estão a construir o caracter ganhador numa equipa para a proxima epoca. Só espero é que a Draft Pick deste ano nao seja muito baixa...

    Quanto ao melhor método de eliminar o Tanking, acho que a ideia do Bill Simmons é a mais indicada. Impede que se perca de propósito só para ter mais chances de obter a #1 Pick, como também impede que num sistema de torneio de eliminação, vençam as equipas mais fortes e as mais fracas façam de propósito para perder, sabendo que perdendo, teriam mais chances de obter essa mesma #1 Pick...

    Penso que algo deveria ser feito no que toca a isso...

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  2. Também sou adepto dos Pistons e isto vem acontecendo ano para ano. Somos os "bombos" durante a época e na fase final ganhamos uma série de jogos ficando com uma pick baixa. Mas também é verdade que quer em 2010 (Greg Monroe) quer em 2011 (Brandon Knight) conseguimos dois bons jogadores.

    Só espero que este ano, se não conseguirmos uma das três primeiras escolhas, seja suficiente para escolher o Jared Sullinger ou o Thomas Robinson

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  3. Acho que a ideia podia eliminar o Tanking mas tornava apenas o sistema menos justo. Há equipas que são realmente fracas e sem talento, pelo que merecem ter mais hipóteses para as picks mais altas.

    Vivi muito tempo nos EUA e sempre me disseram que a ideia por trás do draft não era tanto o equilíbrio das competições mas sim criar o sonho americano, mostrar às pessoas que, tal como na vida, mesmo tendo uma época má poderás ter a tua oportunidade mais à frente e te deves preparar para isso.

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  4. Nada contra as medidas anunciadas, mas, para mim, proibia-se que uma equipa fosse à lottery 4 vezes consecutivas... e impedia-se que alguem ganhasse por 2 vezes em 4 anos a 1ª pick...

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  5. eduardo ribeiro06/04/12, 03:07

    A ideia que eu defendo, vai de encontro com o conceito referido pelo Sérgio_alj. Vários comentadores americanos mencionam um sistema em que, por exemplo, as equipas que ficassem no top5 das escolhas de um determinado draft, no ano seguinte, independentemente da sua classificação, não poderiam ficar no top 10 do draft. Enfim, algo do género, poderia funcionar um pouco melhor, pois pelo menos evitaria um "tanking" de duas ou três temporadas de uma determinada equipa.
    De qualquer forma, o conceito de " recompensa" das piores equipas, embora pareça injusto, acima de tudo por causa do já referido e "amaldiçoado tanking", efectivamente traz bastante equilíbrio à NBA. E não me refiro unicamente ao factor equipas fracas vs equipas fortes. Refiro-me à sempre presente disparidade big market vs small market teams. Ora vejamos, se este sistema não existisse, a probabilidade de equipas como os Cavs receberem Lebron James ou semelhantes, seria drasticamente reduzida, matematicamente e realisticamente. Ou seja, ao serem atribuídas maiores probabilidades de sucesso no draft aos piores classificados, simultaneamente criam-se maiores chances de municiar "small market teams" com bons jogadores, pois normalmente essas equipas ficam classificadas nas últimas posições das suas respectivas divisões, devido à sua dificuldade em captar free agents. Claro que no futuro, há sempre a possibilidade de esses jogadores se mudarem para uma "big market team", como bem sabemos. Mas, com o actual sistema, pretende-se garantir que equipas como os Wolves, Kings, Bobcats ou Cavs (entre outras), possam contar nas suas fileiras por uns 3/4 anos com jogadores da qualidade de Love, Cousins, Walker ou Irving. De outra forma, tal seria bem mais difícil.
    Como qualquer sistema, este apresenta falhas e pode (deve) ser melhorado, mas ao contrário do que o autor do blog defende, acho "perigoso" atribuir probabilidades iguais a quem não se apurasse para os playoffs. Não nos esqueçamos que efectivamente existem equipas desportivamente bem mais fracas, como actualmente os Bobcats, que não "precisam" de tanking para se classificarem nas últimas posições. Do ponto de vista desportivo, seria emocionante ou competitivo, atribuir-lhes a mesma probabilidade de receberem Anthony Davis do que, por exemplo, aos Jazz (caso estes falhem os playoff)? Penso que não, mais ainda tendo em conta o já referido factor "small / big market".

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  6. Se o Anthony Davis for para os Bobcats ficam com uma equipa interessante.
    Tem o D.J Augustin e Kemba Walker como Pg.
    Tem o Henderson para Sg.
    O seu ponto fraco é o Sf porque o Maggete não rende muito.
    Tem o Biyombo, Thomas e Molins os seus postes que tem feito alguns bons jogos, e se o Davis vier podem ser uma equipa para discutir um lugar entre 6-8 dos playoffs da conferencia Este.

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  7. eduardo ribeiro07/04/12, 17:21

    Hmm não sei...Penso que os Bobcats não vão manter D.J.Augustin, apesar de ele ser um restricted free agent. Já há uns tempos que o tentam trocar, por isso dificilmente ficará, até para "libertar" o lugar para Kemba Walker. O problema dos Bobcats é eminentemente ofensivo, pelo que mesmo hipoteticamente fiquem com Anthony Davis, continuarão a sentir muitas dificuldades. Biyombo, Thomas e Henderson têm como ponto forte a defesa, sendo limitados (muito, no caso de Biyombo) ofensivamente. Talvez consigam adicionar alguns jogadores via free agency mas, como referi no outro post, tal possibilidade para small market teams é mais complicada...
    Pessoalmente, eu gostaria de ver Anthony Davis nos Wizards. Penso que um núcleo Wall, Davis e Nene é um ponto de partida interessante. Com algumas boas peças, e um bom treinador (Nate McMillan, anyone?), poderão entrar na luta pelos playoff em 2013.

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  8. Os Wizards tem talento agora falta é aproveita-lo.
    Uma equipa jovem com Wall-Crawford-Vesely-Davis-Nene era uma equipa fortissima candidata a ir aos playoffs.

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