3.4.12

Candidatos - Miami Heat


Já fizemos a ronda pelos San Antonio Spurs, pelos Oklahoma City Thunder, pelos Dallas Mavericks e pelos Chicago Bulls. Resta-nos um candidato ao título. Depois duma sova às mãos dos Celtics, com quatro derrotas nos últimos 10 jogos e no meio de todas as críticas e dúvidas sobre Lebron e os Três Super-Amigos, se calhar não é a melhor altura para fazer a análise da candidatura dos Heat. Ou, pensando bem, talvez seja a altura perfeita.


Sim, porque eles não deixaram de ser candidatos (um dos maiores candidatos) ao título. Não passa pela cabeça de ninguém negar que os Heat são uma das melhores equipas da NBA e não deixem que os desaires recentes vos façam esquecer do bons que são. 

Têm o terceiro melhor ataque da liga (108.3 Off Rtg) e a quinta melhor defesa (100.6 Def Rtg). Estão no top 5 nos dois lados do campo. Só há mais uma outra equipa que pode dizer o mesmo, os Bulls. E têm dois dos cinco melhores jogadores da liga. E Chris Bosh, um power forward de topo. 
Wade e Lebron estão a jogar melhor juntos e, com Lebron mais vezes a jogar a poste baixo, o ataque está mais eficaz e mais equilibrado que na época passada. 

E esta temporada têm um banco com mais soluções. Haslem esteve lesionado a maior parte da época passada, Battier aproveita as penetrações de Wade e Lebron e o espaço que as defesas lhe dão para marcar muitos triplos, Miller lidera a NBA na percentagem de três pontos (embora esteja lesionado agora) e Norris Cole tem sido uma agradável surpresa. 

Na defesa, ninguém tem três defensores do perímetro tão bons (Wade, Lebron e Battier). Poucas equipas conseguem pressionar no exterior e fechar as linhas de passe como eles. Provocam muitos turnovers e transformam-nos em muitos pontos, pois no campo aberto são imparáveis. Quando as locomotivas Wade e Lebron saem em contra-ataque, o melhor é sair da frente.

Mas também não podemos ignorar os seus pontos fracos. Não são uma grande equipa ressaltadora, particularmente nos ressaltos ofensivos, onde estão num medíocre 25º lugar. E a defesa interior não está nem perto do nível da defesa exterior. Se no perímetro são rápidos a rodar e conseguem fechar as linhas de passe como poucas equipas, o mesmo não acontece com os jogadores interiores. Como os Mavs e os Thunder mostraram, quando têm de dar tempos de ajuda no pick and roll, são lentos a recuperar e deixam muitas vezes um grande buraco no meio. 

E nenhum dos jogadores interiores (à excepção de Bosh, mas este tem alguma aversão ao contacto físico e ao jogo duro perto do cesto e joga muitas vezes longe do cesto) dá uma contribuição regular e significativa no ataque. E nenhum deles (mais uma vez, à excepção de Bosh) é capaz de jogar de costas para o cesto e depende de assistências e ressaltos ofensivos para marcar pontos.

Ronny Turiaf vem ajudar nestas várias fraquezas do jogo interior, mas não é uma grande cura. É mais um para ajudar, mas tem os mesmos problemas de Joel Anthony. Basicamente, é mais um Joel Anthony. E todo o banco, embora melhor, é inconstante e não tem uma contribuição regular. Tanto podem dar 30 ou 40 pontos numa noite, como 10 noutra.

É uma equipa de extremos (e não nos referimos a posições de jogadores). Onde são maus, conseguem ser muito maus às vezes. Mas onde são bons, são mesmo muito bons. E isso é o que lhes permite ser uma equipa tão perigosa (e boa) apesar dos pontos fracos tão evidentes.

Como sempre acontece com todas as equipas candidatas (porque nenhuma é perfeita), a chave é jogar com as forças e conseguir ultrapassar suficientemente (ou disfarçar) as fraquezas. Mas isso nunca foi tão verdade como com estes Heat.

2 comentários:

  1. Variações na defesa ao jogo de Miami e um ataque pensado, associado ainda o facto do jogo nos playoffs ser muito mais pausado e a meio-campo e as fraquezas de Miami ficam ainda mais à vista. No entanto têm 3 dos melhores da liga e quando começar a ser mais a sério também jogarão o dobro.
    Tal como sempre a análise do Márcio ao jogo está excelente mas para mim a fraqueza de Miami não é dentro do campo, mas fora. O Spoelstra tem medo de arriscar, tem poucos truques na manga e imaginação, joga sem esquema próprio e normalmente safa-se com o esforço ou inspiração das peças mais importantes. Mas assim Miami corre o risco de ser novamente batido por um treinador mais inteligente e por uma equipa média que tiver personalidade própria, como aconteceu nas finais do ano passado.

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  2. A equipa de Miami para alem das fraquezas do jogo interior é uma equipa muito irregular...aliás o único jogador com exibições regulares é mesmo Lebron James... Wade e Bosh jogam "bem" de vez em quando...mas o pior da equipa é mesmo a quebra de rendimento em alguns jogos dos jogadores que apoiam o "big three", jogadores como o Haslem,Chalmers,N.Cole e Battier (miller lesionado) passam alguns jogos praticamente em branco, contribuindo praticamente 0 mesmo quando as defesas contrarias estão completamente centradas no big three...

    os Heat sempre que tiveram o seu banco a aparecer no jogo derrotam facilmente os adversários, aliás houve períodos nesta temporada onde atropelavam mesmo os adversários o problema está mesmo na consistência desses jogadores... não se admite jogar ao lado de Wade e lebron e falhar vários lançamentos, digo isto pois maior parte dos lançamentos dos jogadores em apoio ao big three são feitos em situações onde estão completamente sozinhos com toda a preparação para o lançamento ter sucesso e mesmo assim falham muito...

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