20.7.12

Linsanidade muda-se para Houston


Vamos começar pelas certezas: Jeremy Lin queria continuar em Nova Iorque, os Knicks queriam que ele continuasse, os Rockets queriam-no em Houston, o contrato que ele recebeu dos Rockets é exagerado e os Knicks concordaram e acharam que o preço para manter Lin era grande demais. E a Linsanidade vai continuar em Houston.

Jeremy Lin admitiu em entrevista à Sports Illustrated que "honestamente, preferia Nova Iorque", mas que os Rockets fizeram uma oferta irrecusável. Uma que Lin esperava, no entanto, que os Knicks cobrissem. Lição de vida para o jovem Lin: quando tentas usar uma proposta de trabalho da concorrência para melhorar o teu ordenado no sítio onde estás, tens de estar preparado para aceitá-la. Porque o patrão pode pagar o teu bluff e dizer "obrigado pelos teus serviços, mas não te vamos pagar tanto, por isso boa sorte no novo sítio". E foi o que aconteceu. Os Knicks consideraram o preço para manter Lin muito alto e deixaram-no ir.


Agora vamos às incertezas: deveriam os Knicks ter cobrido a proposta dos Rockets ou estes fizeram uma oferta claramente acima do valor do jogador e pagaram demais para ter os seus serviços?

25 milhões de dólares por três anos é claramente muito para um jogador que ainda não jogou uma temporada inteira e ainda não mostrou se é capaz de fazer durante 82 jogos duma temporada regular e, mais importante, durante os playoffs, o que fez durante 35 jogos nos Knicks. Lin mostrou relances de brilhantismo e produziu a um nível de All Star durante 14 jogos da temporada passada. Mas foram 14 jogos em que os Knicks estavam dizimados por lesões e tinham as suas maiores estrelas de fora. Para além disso, Lin também beneficiou do efeito surpresa e do desconhecimento das equipas em relação ao seu jogo. Quando Carmelo e Stoudemire voltaram ao campo e quando as equipas adversárias já vinham com o plano estudado para o parar, os números de Lin desceram bastante. E depois, em Março, o seu joelho rebentou e nunca tivemos oportunidade de ver do que ele seria capaz quando realmente conta, nos playoffs.

Terminou, no entanto, a temporada com uns interessantes 14.6 pts e 6.2 ast. Bons números, mas não extraordinários. E não números de estrela. Por isso, do ponto de vista estritamente desportivo, Lin não vale ainda 8,5 milhões por ano. Talvez venha a valer e os Rockets podem ganhar esta aposta. Mas neste momento, do ponto de vista desportivo, é isso mesmo: uma aposta. Uma aposta na qual os Rockets depositam dinheiro digno de jogador já afirmado.

Só que os Rockets não fizeram esta aposta a pensar apenas no valor desportivo. Também o fizeram a pensar no potencial de negócio. A equipa de Houston tem uma enorme base de fãs na China desde os tempos de Yao Ming e Lin será a sua nova estrela asiática. Mesmo que o que ele produza em campo possa nunca estar à altura do ordenado, estará de certeza à altura do que ele pode produzir em receitas e oportunidades de patrocínios e negócios no país mais populoso do mundo. A camisola de Tracy Mcgrady, por exemplo, era a mais vendida na China, à frente de Kobe, LeBron e do próprio Yao Ming.

Para os Rockets este foi, literalmente, um negócio da China. Um que os Knicks não deveriam ter deixado escapar. É certo que os 14 milhões do terceiro ano de contrato (os Rockets desenharam o contrato de forma a ser mais dificil para os Knicks igualar: 5 milhões no 1º ano, 5.2 milhões no 2º e 14.8 no 3º) fazia a luxury tax dos nova-iorquinos disparar para os 30 milhões (teriam de pagar o dobro em taxas para lhe pagar esses 14 milhões em 2014-15), mas esse era dinheiro que poderiam recuperar com as receitas que Lin lhes podia trazer.

Jeremy Lin, o jogador, não vale (ainda?) 8,5 milhões por temporada. Jeremy Lin, o fenómeno mediático, pode valer muito mais. É um negócio da China.

6 comentários:

  1. Stoudemire20/07/12, 12:59

    Nem que fosse para ficar no banco durante 3 anos, só em publicidades e afins compensava e muito.
    Deram a galinha dos ovos de ouro aos Rockets, mesmo que não se afirme. Agora imagine-se se se confirma como um razoável/bom jogador...

    ResponderEliminar
  2. Apesar de a vertente negócio poder vir a ter um impacto muito positivo nos Rockets, acho que o Lin vai ter que produzir em campo na mesma e a equipa vai ter que ser competitiva. É que o Yao Ming era um All-star, e se o Mcgrady tinha a camisola mais vendida na China era porque era o melhor e mais espectacular jogador da equipa. A popularidade do Yao Ming levou a que vissem os jogos, mas depois a equipa tinha também que mostrar algo em campo. Os Rockets agora devem tentar ir buscar uma estrela e pessoalmente acho uma pena se usarem os rookies deles para elaborar um pacote de jogadores para troca. Estou a adorar os rookies que eles têm lá; o Jeremy Lamb, Royce White, Terrence Jones, Motiejunas e até o Machado que não foi escolhido no draft mas me parece ser um excelente "pass first" PG. Gostava que os conseguissem manter todos juntos a evoluir em equipa, pode ser que saia algo interessante dali estilo OKC...

    ResponderEliminar
  3. Não é por nada, mas acho que este é um dos tais negócios em que o único que fica a ganhar é o jogador.
    É ridícula a forma como o directivo de Houston tem gerido esta off season.Pelo que se escreve, nunca tinham imaginado que os Knicks não igualassem a oferta deles, pelo que nunca esperaram que Lin viesse a ser seu jogador.
    Agora já consta que poderão não confirmar a oferta que tinham feito a Asik. A confirmar-se será uma machadada na credibilidade da directoria, e por extensão de toda a NBA.

    ResponderEliminar
  4. Os Rockets oxalá não fiquem com o Asik que é um péssimo jogador e os Rockets ofereceram muito dinheiro por ele que não vale nada, e se ficarem com ele é um futuro amnistiado.
    Os Rookies dos Rockets estão se a mostrar competentes o Jeremy Lamb e Motiejunas acredito que serão futuros all-stars.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Rockets não podem amnistiar mais ninguém.

      Eliminar
  5. Eu não sei como se pode ter tanta certeza que os Knicks poderiam fazer mais 30 milhões em publicidade com Lin.

    30 milhões não são 30 tostões e os Knicks (ao contrários dos Rockets) já facturaram bastante com ele.

    Mas "dando de barato" que poderia render mais $$ do que o custaria, o que é que isso interessa para um fã dos Knicks??? Os Knicks tem um milionário à frente da equipa que pouco importa aos adeptos se fica mais rico ou mais pobre por isso o Marketing do Lin é-me indiferente.

    O importante para os adeptos é o rendimento da equipa e não sei se esse salário cairia muito bem no conjunto de egos que compõem um plantel na NBA principalmente em NY.

    Para mim, muito mais importante e menos mediático é que em relação ao início do ano passado:
    - Temos um Treinador algo que no ano passado não tínhamos.
    - Temos 2 PG e no ano passado tínhamos 0.
    - Temos um marcador de pontos a sair do banco (JR Smith só veio a meio do ano).
    - Temos um dos melhores triplistas da NBA (Novak) e o 3º mais concretizador da história nesse aspecto (Kidd).
    - Temos Camby para dar minutos de descanso a Chandler e manter o cesto protegido.

    Falta saber se esta mescla formará uma boa equipa mas se não houver lesões, com um treinador "normal", com um training camp para os jogadores entrarem em forma e haver uma equipa coordenada tudo o indica que sim.

    E isso para mim é muito, mas mesmo muito, mais importante que Jeremy Lin que espero que tenha muito sucesso, até porque foi para a outra conferência, e no máximo defrontará os Knicks 2 vezes por ano. É bom jogador, acho que tem qualidade para ser titular nesta liga, tenho muitas dúvidas que seja um "legítimo" all star, apesar de o sistema de votação lhe garantir um lugar, e exige muito tempo de bola nas mãos o que é óptimo para Houston mas seria mau para os Knicks.

    ResponderEliminar