11.7.13

O carrossel de treinadores da NBA


Esta free agency tem sido muito animada, com muitos jogadores a mudar de ares (e não só jogadores secundários e complementares, mas também muitos nomes grandes) e muitas equipas a fazer mudanças nos seus plantéis. Mas não é só no carrossel de free agents que esta offseason tem sido animada. Também no carrossel de treinadores este defeso tem sido (anormalmente) animado.

Desde que a temporada terminou, 13 equipas (quase metade da liga e um recorde absoluto nos mais de 60 anos de história da NBA!) mudaram de treinador. Algumas compreensivelmente (ou porque eram treinadores provisórios ou porque os resultados ficaram abaixo das expectativas), outras nem por isso (com treinadores de equipas bem sucedidas - algumas muito bem sucedidas - a perderem o seu emprego). Vamos então a um balanço da dança de cadeiras nos bancos da NBA:


As mais que esperadas

Bucks (saiu Jim Boylan, entrou Larry Drew)
Nets (saiu PJ Carlesimo, entrou Jason Kidd)
Suns (saiu Lindsey Hunter, entrou Jeff Hornacek)


Estas três já tinham despedido os seus treinadores a meio da temporada e os que terminaram a época eram treinadores-interinos e previsivelmente provisórios. Com o fim da temporada foi hora de escolher um timoneiro fixo. E assim fizeram. Os Bucks apostaram no treinador que os Hawks não quiseram (e que fez um trabalho subvalorizado em Atlanta), os Nets surpreenderam toda a gente com a escolha dum inexperiente Jason Kidd (10 dias depois deste se ter retirado como jogador) e os Suns foram buscar um ex-jogador da casa (e mais um novato sem qualquer experiência com treinador principal).


As mais ou menos esperadas

Hawks (saiu Larry Drew, entrou Mike Budenholzer)
Kings (saiu Keith Smart, entrou Mike Malone)
Pistons (saiu Lawrence Frank, entrou Maurice Cheeks)

Três casos de equipas encravadas e em que os dirigentes perderam a paciência (ou nunca tiveram muita) e decidiram experimentar uma nova direcção. Os Pistons e Kings não saíam do fundo da tabela e os Hawks não passavam da mediania. Podemos questionar se a culpa era do treinador, mas, injustamente ou não, a limpeza de balneário e o desbravar de um novo caminho começa normalmente por aí. 

No caso dos Pistons, os resultados da equipa são mais culpa da má gestão e das movimentações erradas em offseasons anteriores (como escrevemos aqui e aqui) do que do treinador. Só na última temporada é que começaram a entrar no bom caminho, mas decidiram não dar mais tempo a Frank (depois de Joe Dumars ter dito, quando Frank foi apresentado, em 2011, que este era o seu treinador para o longo prazo) e continuar esse caminho com outro treinador.

Os Kings são outros que não descolam do fundo da tabela e podemos perguntar se é mais culpa de Keith Smart ou da falta de produção e/ou maturidade de jogadores como Tyreke Evans e DeMarcus Cousins. Mas, de qualquer forma, conseguir arrancar essa produção e cultivar essa maturidade também cabe ao treinador. Smart não conseguiu (ou não lhe deram tempo para o conseguir), é a vez de Mike Malone tentar.


E em Atlanta, com a entrada de Danny Ferry como general manager, previa-se uma mudança de treinador há muito tempo. Ferry veio dos Spurs e, fiel a essa escola, quer instituir uma cultura séria e vencedora na organização. Larry Drew não era a sua primeira escolha (era o treinador que já estava na equipa) e Ferry deu-lhe uma temporada. Mas, depois de começar a limpeza do balneário pelos jogadores, decidiu continuar essa limpeza pelo treinador e, apesar de Drew ter feito um bom trabalho com uma equipa mediana, Ferry decidiu trazer um seu conhecido e um treinador que, não por acaso, também vem dos Spurs: Mike Budenholzer, adjunto de Popovich há muitos anos. É Ferry a tentar importar a cultura dos Spurs para os Hawks.


Clippers (saiu Vinnie Del Negro, entrou Doc Rivers)

Mais um caso dum treinador que levou a equipa às suas melhores temporadas de sempre e perde o emprego a seguir. Mas os Clippers tinham dúvidas se Del Negro era capaz de os levar mais longe (e, mais determinante ainda, os jogadores também tinham as mesmas dúvidas). E a sua saída ficou selada quando, este ano, não passou da primeira ronda. Trouxe-os até aqui, mas decidiram procurar outro para os levar um degrau acima.
Como dizíamos, mais determinante ainda, (segundo consta) não tinha a confiança das principais estrelas da equipa. E isso é sempre a morte para qualquer treinador. Entra Doc Rivers, com quem essa questão do respeito dos jogadores não se coloca e que tem experiência em liderar uma equipa até ao título. É isso que os Clippers esperam dele.


Sixers (saiu Doug Collins, ainda sem substituto)

Aqui foi de comum acordo. Collins parecia saturado e achou que não conseguia levar a equipa mais longe (ou fartou-se do processo de construção que parecia não levar a equipa mais longe) e os dirigentes também sentiam o mesmo. Foi cada um para seu lado e os Sixers ainda não escolheram um substituto. Já se falou de outro adjunto de Popovich, Brett Brown, agora vão entrevistar o adjunto de Collins, Michael Curry, mas ainda está para se saber quem vai sentar-se no banco da equipa durante a reconstrução dos próximos anos.


As menos esperadas

Bobcats (saiu Mike Dunlap, entrou Steve Clifford)
Cavs (saiu Byron Scott, entrou Mike Brown)
Celtics (saiu Doc Rivers, entrou Brad Stevens)

Nos Bobcats, Michael Jordan mal deu hipótese a Mike Dunlap de começar qualquer espécie de projecto. Um ano no banco dos Bobcats, mal teve tempo para aquecer o lugar. A equipa foi (mais uma vez) péssima, mas também Mike Dunlap não tinha equipa para fazer muito melhor. E um processo de reconstrução não se faz num ano (ainda por cima um tão grande com os Bobcats precisam, pois partiram mesmo do fundo). Voltam à estaca zero.

Nos Cavs, uma situação semelhante. Scott estava em Cleveland há três anos, mas o primeiro foi o ano em que ficaram sem LeBron e Scott, que foi contratado para uma equipa de topo, ficou com uma equipa desfeita (e de fundo da tabela) nas mãos. Nos dois anos seguintes começou a reconstrução e esta temporada estavam finalmente a dar sinais de evolução e a melhorar. Mas para Dan Gilbert não foi suficiente. Quando o dono dos Cavs anunciou o despedimento de Scott disse que este fez um bom trabalho e estavam no bom caminho, mas que a evolução não foi tão grande como desejavam. Mais uma vez, foi curto o pavio dos dirigentes (e regressa Mike Brown, que tinha sido despedido depois das temporadas mais bem sucedidas de sempre da equipa por acharem que precisavam de alguém que os levasse um degrau acima. O escolhido nessa altura? Byron Scott!)


E em Boston, a mudança foi inesperada, mas não foi por vontade da equipa. Doc Rivers não estava com grande vontade de passar pelos anos de reconstrução que os Celtics têm pela frente e preferiu o apetecível projecto dos Clippers. Danny Ainge tentou tudo para Rivers ficar, mas perante essa impossibilidade, decidiu-se pela reconstrução total e apostou em mais um estreante nestas andanças de treinador principal na NBA: Brad Stevens, o treinador da universidade de Butler (um dos mais bem sucedidos treinadores universitários dos últimos anos).



E as completamente inesperadas

Nuggets (saiu George Karl, entrou Brian Shaw)
Grizzlies (saiu Lionel Hollins, entrou Dave Joerger)


Completamente inesperadas e incompreensíveis. Tanto Grizzlies como Nuggets tiveram as suas melhores temporadas de sempre e ambos os treinadores estavam a realizar um excelente trabalho (George Karl foi o Treinador do Ano!). E se os Nuggets falharam nos playoffs (embora, para nós, isso não fosse razão para despedir Karl, como já dissemos no artigo anterior), os Grizzlies foram até às finais de conferência e afirmaram-se como uma das melhores equipas da liga (e sempre em progressão de ano para ano).

Curiosamente, uma das razões apontadas para o despedimento de Hollins foram divergências na filosofia para a equipa: Hollins era defensor do "Grit and Grind" e da identidade defensiva da equipa, os dirigentes parece que queriam uma equipa melhor ofensivamente. Só que o substituto, Dave Joerger, era o adjunto de Hollins responsável pela defesa. Vá-se lá saber o que vai na cabeça destes dirigentes.

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Parece que ser bom não é suficiente para manter o emprego na NBA. O que é preocupante e, nos casos que destacámos, difícil de perceber. Como disse Eric Spoelstra a propósito deste carrossel, "é um período terrível para a nossa profissão. (...) Para ter sucesso na NBA é preciso ter uma cultura de consistência. Assim é impossível ter qualquer tipo de consistência." Gregg Popovich alinha no mesmo discurso e diz que "essa mudança constante não funciona e podemos ver isso em várias organizações. Quando as coisas não acontecem rapidamente alguns donos ficam frustrados muito facilmente."

Continuemos com as palavras do treinador dos Spurs: "A continuidade cultiva confiança, cultiva camaradagem, cultiva responsabilidade, cultiva colaboração e participação de todos. E isso não se faz em dois anos."

E não é coincidência que estes sejam os dois treinadores que estão há mais tempo a treinar a mesma equipas e que as suas equipas (duas das mais estáveis da liga) tenham sido as finalistas deste ano e duas das equipas mais bem sucedidas da última década. É preciso tempo para desenvolver qualquer projecto. E é preciso dar tempo aos treinadores para o fazer. Vamos ver se todos estes novos treinadores vão ter esse luxo.

5 comentários:

  1. Este Carrossel na NBA faz-me lembrar a liga portuguesa de futebol... Peço desculpa pela referência.

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  2. Por onde anda o Scott Sikes? Tinha ideia que era treinador dos Bucks. Acho que era um bom treinador para aplicar o talento do Nash a passar a bola, já que, se não estou em erro, tem o recorde da liga com 30 assistências num jogo apenas.

    Já agora, o que fazia o Brian Shaw antes de ir treinar os Nuggets para o Colorado?

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    1. O Scott Skiles deve andar por casa (sim, era treinador dos Bucks, mas foi despedido em Janeiro).
      O Brian Shaw foi adjunto do Phil Jackson e era actualmente o braço direito do Frank Vogel, em Indiana.

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    2. Não fazia ideia que tinha sido despedido. Acho-o mais indicado do que o D'Antoni para os Lakers.

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  3. O treinador dos Hawks foi o número 2 do Popovich durante 17 temporadas. Vão ver como um bom treinador faz toda a diferença, e os Hawks se vão safar bem melhor que o previsto este ano.

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