18.1.12

Em San Antonio têm olho para a coisa


Ontem, com quatro minutos para jogar no 1º período do jogo entre os Spurs e os Heat, a equipa de San Antonio tinha em campo: Cory Joseph, Gary Neal, Danny Green, Kawhi Leonard e DeJuan Blair. Um cinco constituído por uma 29ª escolha no draft, uma 15ª escolha, uma 7ª escolha... da segunda ronda (37º total) e duas descobertas na D-League. 

Mesmo descontando o colapso no 3º período e o resultado final deste jogo, este é o último exemplo do brilhante trabalho de prospecção e recrutamento que fazem em San Antonio. Nenhuma equipa na NBA o faz melhor e de forma mais regular que eles. Ano após ano, o general manager RC Buford e a sua equipa tiram coelhos da cartola e descobrem pérolas que mais ninguém conhece ou em que mais ninguém quer apostar. Descobrem futuros All Star no fundo do draft, encontram jogadores de universidades pequenas e  talentos pelos quatro cantos do mundo.

A lista é inacreditável: Manu Ginobili (57ª escolha no draft de 1999!), Tony Parker (28ª em 2001), George Hill (26ª escolha em 2008, vindo da desconhecida UIPUI), DeJuan Blair (37ª escolha em 2009; este era conhecido e não foi escolhido mais cedo porque haviam muitas dúvidas sobre os seus joelhos, mas os Spurs apostaram nele e mais uma vez sairam-se bem), Beno Udrih (28ª escolha em 2004) e podíamos continuar.


Para além do brilhante trabalho na prospecção de talentos, também são mestres no recrutamento de jogadores veteranos (muitos já em fase descendente da carreira), na reabilitação de jogadores aparentemente perdidos (no fundo do banco de outras equipas ou em ligas secundárias) e na integração desses jogadores na equipa. Pegam em jogadores que já ninguém quer, ninguém quer pegar e conseguem torná-los jogadores úteis para a equipa. Ou jogadores que noutras equipas não rendem metade e os Spurs conseguem retirar deles o que parecia impossível.

Também aqui temos uma lista infindável e inacreditável: Gary Neal (nunca foi escolhido no draft e estava a jogar na Europa), TJ Ford (este não era desconhecido, mas estava perdido no fundo do banco de Indiana), Danny Green (D-League), Fabricio Oberto (jogava na Europa e chegou aos Spurs já com 30 anos), Antonio McDyess (teve uma segunda vida nos Spurs), Matt Bonner, Steve Kerr, Bruce Bowen, Robert Horry, Michael Finley e podíamos continuar por aí fora.

E, sejam rookies desconhecidos ou veteranos reabilitados, Gregg Popovich é um mestre em retirar o máximo rendimento de todos eles. Aliem esta capacidade de os integrar numa estrutura bem sucedida ao brilhante trabalho de olheiro e temos uma das equipas melhor geridas da liga. Um exemplo de como fazer e gerir uma equipa. Um exemplo de como fazer o máximo possível com o que se tem.

3 comentários:

  1. Nem mais.

    Uma grande equipa que o ano passado acabou por vacilar no fim da época regular e também nos playoff. Claro que não são favoritos este ano, mas temos de contar sempre com eles. O incrível Manu Ginobili está a fazer muita falta. Dos jogadores mais completos da NBA.

    Saudações.

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  2. Realmente é impressionante ver a capacidade e a regularidade ganhadora dos spurs desde a época 1989-1990 até ao presente!! Incluindo, claro, quatro títulos pelo meio, no passado recente.

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  3. concordo TANTO com esta análise. e pelo meio, foram campeões, foram eliminados prematuramente, eliminaram adversários que ninguém esperava, e sempre apurados para os playoff, com grandes recordes da regular season. impressionantes. além disso têm em fim de carreira, se calhar, o MELHOR power forward de sempre do jogo. e digo isto com alegria, pois sempre gostei dos spurs, primeiro porque equipavam de preto, e eu gostava disso, e mais tarde com o almirante, outro gigante deste belo jogo que é o basquetebol. abraços.

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