22.1.12

Um grande problema na Big Apple


Ontem à noite, os Nuggets escaparam do Madison Square Garden com uma vitória naquele que foi provavelmente o jogo mais trapalhão, mais acidentado e mais mal jogado da temporada. As duas equipas juntas tiveram 43 turnovers e não faltaram erros infantis, muitos maus lançamentos e perdas de bola incríveis. Foi um jogo inacreditável, onde aconteceu de tudo: jogadores a falhar lançamentos isolados debaixo do cesto, jogadores a passar para as mãos dos defensores, jogadores a deixar a bola escapar das mãos, jogadores a recuperar a bola e a perde-la logo a seguir (houve um momento no 3º período em que isso aconteceu três vezes consecutivas num espaço de poucos segundos), Andre Miller no final do tempo regulamentar com uma linha de passe clara para Corey Brewer junto ao cesto e a atirar a bola contra o aro e um final caricato no 1º prolongamento, com o árbitro a agarrar a bola antes desta sair do campo e terem de fazer uma bola ao ar com 0.3 segundos para jogar (atiraram a bola ao ar, acabou logo o tempo e seguimos para 2º prolongamento).

Mas o que também não faltou foi emoção. Pode não ter sido bonito, mas foi sem dúvida emocionante. Embora mal jogado, foi um jogo disputado até ao último segundo e só ao fim de dois prolongamentos a equipa que jogou menos mal conseguiu escapar com a vitória (e vão seis derrotas consecutivas para New York). 

Foi também uma noite de reencontros e recordes. Dois ex-Knicks marcaram o seu máximo de carreira (Gallinari, com 37, e Mosgov, com 16) e outro ex-Knicks, Al Harrington, acabou com 24 e dois triplos decisivos (um no fim dos 48 minutos e outro no fim do 2º prolongamento para selar a vitória). Para quem o reencontro não correu tão bem foi Carmelo, que apesar dos 25 pontos, sentiu muitas dificuldades ao longo de todo o jogo (bom trabalho defensivo de Corey Brewer) e precisou de 36 lançamentos para marcar esses 25 pontos (10-30 em lançamentos de campo, com 1-7 nos 3pts, e 4-6 em lances livres).

E as dificuldades de Carmelo foram apenas o início dos problemas dos Knicks. Mais preocupante foi o  péssimo ataque da equipa (é claro que Carmelo tem responsabilidade nisso, mas não é só ele). Preocupante e surpreendente. Na temporada passada, o ponto fraco deles era a defesa. Terminaram 2010-11 com o 7º melhor ataque e a 22ª defesa. Com a contratação de Tyson Chandler, a selecção no draft de Iman Shumpert e a contratação de Mike Woodson para adjunto, esperava-se que subissem uns lugares na defesa. E assim aconteceu. Esta temporada estão com a 10ª melhor defesa (um DefRtg de 101.1, menos 10 que no ano passado). O que não se esperava era que piorassem no ataque. E como pioraram.

Apesar de continuarem a ser uma das equipas que joga mais rápido (3ª, com 94.5 posses de bola por cada 48 minutos), estão em 24º no Ofensive Rating (98.6 pontos por cada 100 posses de bola). O que quer dizer que jogam rápido, mas mal. E ontem isso ficou bem claro. Abusam nas jogadas de isolamento (são a equipa que mais jogadas destas faz, com 16%), não têm um point guard (jogam Toney Douglas e Iman Shumpert adaptados), não movimentam a bola no ataque, limitando-se a rodar a bola no perímetro até alguém lançar. E isso quando rodam, porque muitas vezes o ataque limita-se a um jogador que recebe a bola e lança ou joga 1x1. Quando não fazem uma jogada de isolamento, fazem muitas vezes um pick and roll com Carmelo. Só que Carmelo é não é um bom passador e um pick and roll com ele termina sempre com lançamento. Dele, claro.

Ontem, o único point guard disponível, Mike Bibby, não jogou um único minuto. É claro que Bibby é um risco na defesa e seria destruído por Ty Lawson ou Andre Miller, mas o ataque estava mau demais para Mike D'Antoni não experimentar essa solução. Porque os Knicks precisam urgentemente de alguém que organize aquele ataque. Precisam de movimentar a bola. E precisam que Carmelo comece a passá-la. Com Shumpert e Landry Fields no cinco inicial (e Douglas a sair do banco) ficam com uma defesa melhor, mas nenhum deles é remotamente um organizador. E depois acontece aquilo que vimos: uma ausência total de fluidez no ataque e uma ausência total de jogo colectivo.

Baron Davis parece perto de regressar (talvez na próxima semana), o que poderá melhorar o panorama. Mas os Knicks têm um problema grande naquele lado do campo para resolver.

3 comentários:

  1. Rui Armada23/01/12, 02:21

    Boas

    Muito bem dito. Os knicks são neste momento uma das equipas mais fracas da NBA e como é possível com o plantel que tem?! Eu diria que o Mike D'Antoni tem muito a ver...Não jogam nadinha e isso nao é so a falta de PG...È de facto pena ver tanto potencial junto a ser desaproveitado.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  2. Stoudemire23/01/12, 02:24

    Qaundo mudarem de treinador talvez aí poderemos ver uns New York competitivos, até lá...

    ResponderEliminar
  3. Fantástico fantástico, era ver os Knicks a jogar comandados por um grande jogador chamado Nash...

    ResponderEliminar