30.3.12

Fisher e Mavs - o regresso


Podem acusar o público de Los Angeles de muita coisa - que chegam tarde aos jogos, que não são os fãs mais participativos do mundo - mas ninguém os pode acusar de ingratidão. Depois desta recepção a Lamar Odom, ontem foi a vez de Derek Fisher regressar ao Staples Center envergando a camisola doutra equipa. E os fãs dos Lakers não se esqueceram das 13 temporadas em que ele vestiu de amarelo:



E os Lakers também não se esqueceram e homenagearam as contribuições de Fish para os cinco títulos conquistados com este vídeo:



(podem ver aqui o momento em que o vídeo foi exibido nos ecrãs do pavilhão)



No outro regresso da noite, os Mavs visitaram a American Airlines Arena pela primeira vez desde que lá conquistaram o título em Junho. E se em Los Angeles tivemos um regresso bem sucedido (os Thunder ganharam e o Fish teve 7 pts em 15 minutos), em Miami a história foi outra: os Mavs entraram no jogo dos Heat e não tiveram hipótese.

Enquanto jogaram com as suas armas (atacar com paciência e movimentar a bola) tivemos jogo. Quando entraram no jogo dos Heat (ataques mais curtos, mais drible e penetrações e mais acções individuais), foram aniquilados.

Na primeira parte, a equipa de Dallas atacou com calma, rodou a bola até encontrar um jogador livre e não forçou acções no ataque. Surpreendentemente (ou não, porque depois ficou clara a estratégia), apostaram nos lançamentos exteriores. Sabendo que o ponto fraco dos Heat é o jogo interior, foi com alguma surpresa que vimos os Mavs começar o jogo a lançar triplo atrás de triplo. Mas essa era apenas outra forma (e uma que mais equipas deverão tentar) de atacar o jogo interior de Miami.

Porque ao jogarem tanto no perímetro e ao fazerem pick and rolls sucessivos junto da linha de três pontos, forçaram os jogadores interiores dos Heat a sair da área perto do cesto. E com isso expuseram a falta de velocidade dos jogadores interiores de Miami na recuperação após bloqueios e deixaram mais espaço para os bloqueadores desfazerem para o cesto. E com uma rotação de bola inteligente e bons passes, tiveram, na primeira parte, um ataque eficaz que alternava entre os triplos e as assistências para lançamentos perto do cesto.

E tudo sempre feito com muita paciência. Com pouca velocidade (até de forma bastante lenta, muitas vezes), mas sempre bem posicionados, a fazer bons passes e a jogar de forma inteligente. Os Mavs, menos atléticos, recorriam ao tipo de jogo que os beneficiava. Corria a bola e não os jogadores.


Mas na segunda parte, os defensores exteriores dos Heat aumentaram a pressão sobre o portador da bola e defenderam o perímetro de forma mais agressiva. Tentaram levar o jogo para onde são muito superiores aos Mavs (no atleticismo) e os texanos alinharam: começaram a atacar mais rápido, a usar mais o drible e a recorrer mais a acções individuais. E, num jogo mais veloz e mais dependente de acções atléticas, não tiveram hipóteses.

Não foi um bom regresso dos campeões ao pavilhão onde foram tão felizes o ano passado. Se lá voltarem esta temporada, é porque estão nas Finais com os Heat (as duas equipas já não se encontram mais na temporada regular e a única possibilidade de voltarem a enfrentar-se é nas Finais). Mas se isso, por acaso, acontecer, vão ter de jogar de forma bem diferente para terem hipótese.

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