6.3.12

Candidatos - San Antonio Spurs


Depois dos Oklahoma City Thunder, continuamos a nossa análise mais pormenorizada de cada um dos candidatos ao título com a equipa que pode ser o maior obstáculo de Durant e companhia numa caminhada até às Finais, os San Antonio Spurs.


Como já é hábito (já lá vai mais de uma década desde a última vez que não o fizeram), estão a fazer mais uma boa temporada regular, com algum do melhor e mais colectivo basquetebol da liga. Estão em segundo lugar do Oeste, com um recorde de 25-12 (14-3 em casa), têm o 6º melhor ataque (Off Rtg 106.9) e a 14ª defesa (Def Rtg 102.6). E fizeram-no, até agora, sem Manu Ginobili (que entretanto já regressou) e com Popovich a limitar os minutos dos titulares.

O que lhes tem permitido fazer isso é um banco melhor e mais profundo que no ano passado. Tiago Splitter, Gary Neal e Danny Green estão mais integrados, o rookie Kawhi Leonard dá-lhes mais profundidade a small forward e uma presença defensiva nessa posição que não tinham e o rendimento que Gregg Popovich retira dos jogadores secundários continua, como sempre, a ser exemplar. Com um banco tão profundo, os titulares dos Spurs são os que jogam menos de todos os candidatos (à excepção de Parker, nenhum jogador chega aos 30 minutos por jogo).

O ataque dos Spurs é dos mais eficazes e bem oleados da liga (2º em TO e 5º em Ast), mas encontramos dois aspectos a melhorar: as penetrações e os ressaltos ofensivos. Se querem desequilibrar defesas adversárias e retirar os defensores de posição (e também provocar mais faltas), precisam de fazer mais penetrações e atacar mais (e melhor) o cesto (são apenas 22º nos lances livre tentados). Mas isso é algo que melhorará com Ginobili em campo.

Já na tabela ofensiva estão no fundo da liga e são apenas a 24º equipa em ressaltos ofensivos conseguidos. Faltam-lhes jogadores interiores atléticos e rápidos, que consigam bater o seu defensor directo para entrar nos ressaltos ofensivos. Isto mostra como o ataque dos Spurs é eficaz, pois quando não marcam à primeira, têm dificuldades em conseguir segundas oportunidades. Só as boas percentagens de lançamento e a boa movimentação de bola lhes permite ter um ataque tão bom apesar de serem tão maus neste aspecto ofensivo.

E isso também torna ainda mais necessária a melhoria nas penetrações. Pois, à falta de jogadores que consigam, sozinhos, criar segundas oportunidades, só conseguindo retirar os defensores interiores de posição e obrigando-os a fazer ajudas defensivas podem melhorar nos ressaltos ofensivos.

Onde precisam mesmo de melhorar é do outro lado do campo. Já não têm a defesa impenetrável e sufocante dos anos em que ganharam os títulos e são apenas 27ºs nos DL. Falta uma presença interior e um protector do cesto para além de Duncan. E o próprio Duncan já tem 36 anos e, apesar de continuar a ser um excelente defensor interior, já não é tão bom como antes. Estão mais expostos a penetrações e para serem bem sucedidos nos playoffs vão ter de melhorar as ajudas defensivas e proteger melhor o meio do campo.

Curiosamente, há um aspecto onde são muito bons: os ressaltos defensivos. São a segunda melhor equipa em ressaltos ofensivos permitidos, o que quer dizer que quando os adversários falham, os Spurs não lhes dão muitas segundas oportunidades. E esse pode ser um aspecto decisivo para vencer uma série contra uma equipa como os Thunder. Contra bons ressaltadores ofensivos, como Perkins e Ibaka, controlar a tabela defensiva é fundamental.

É um caso curioso, este dos Spurs. São maus nos ressaltos ofensivos, o que lhes dá poucas segundas chances de lançamento, mas são bons nos ressaltos defensivos, não dando também segundas chances aos adversários. No lado do campo onde precisam de melhorar (a defesa), têm um dos seus aspectos mais fortes e no lado do campo onde são melhores (o ataque), têm um dos seus aspectos mais fracos. 

Mas, independentemente dos aspectos onde podem melhorar, o mais importante e decisivo para esta equipa é manter a frescura dos veteranos e ter todo o plantel disponível para os playoffs. Porque os pontos menos fortes que destacámos são, em grande parte, consequência de factores que eles não podem inverter, como a idade e o atleticismo. Enquanto, por exemplo, o ponto fraco no ataque dos Thunder é uma questão táctica que pode ser alterada, no caso dos Spurs tudo o que podem fazer é tentar limitar o desgaste da temporada regular e chegar à segunda fase na melhor forma possível.

Por isso, esta temporada regular tem sido feita em gestão. Mesmo em jogos equilibrados, Popovich mantém os titulares no banco durante muito tempo e não perde de vista os objectivos maiores. Se tiverem de perder uns jogos agora para estarem melhores nos playoffs, ele não se importa. Por isso ainda não vimos o máximo dos Spurs.
Vamos vê-lo, se estiverem frescos e saudáveis quando chegarem os playoffs. Aí, se estiverem em boas condições fisícas, vão jogar então no máximo e a sua execução e a sua experiência podem fazer a diferença. É um grande "se", mas se isso acontecer, são os maiores candidatos a Oeste e podem surpreender muita gente e parar só nas Finais.

1 comentário:

  1. Grande análise como sempre fico ansioso, para ler a análise dos meus Chicago Bulls.

    ResponderEliminar