6.12.13

Uma tarefa para crescidos


O Jason Kidd ainda é treinador dos Nets? Depois da derrota de ontem com os Knicks, estava mesmo à espera de acordar hoje de manhã e ver as notícias do seu despedimento. Porque o jogo de ontem foi mau demais.


É um facto que a equipa de Brooklyn não tem tido sorte com as lesões, Kidd ainda não teve a equipa toda disponível e o seu cinco inicial ainda não fez dois jogos seguidos. Mas os problemas dos Nets não se explicam só por isso.

Uma coisa era os jogadores disponíveis estarem a jogar o seu melhor e a equipa perder jogos simplesmente porque com os jogadores disponíveis não dava para mais (como os Bulls do ano passado, por exemplo). Uma coisa era faltarem alguns dos melhores, mas os outros estarem a fazer tudo o que podiam e a equipa disponível estar no máximo das suas capacidades. É isso que fazem os bons treinadores, retiram o máximo dos seus jogadores. É isso que faz Gregg Popovich nos Spurs, é isso que faz Tom Thibodeau nos Bulls, é isso que estão a fazer Mike Budenholzer e Brett Brown nos Hawks e Sixers.

E é isso que Jason Kidd não tem feito. Os jogadores disponíveis estão longe do melhor rendimento e aproveitamento e a equipa, mesmo com as ausências, está muito longe do que podia (e devia) fazer.

Porque uma coisa é o talento das peças, outra é o sistema em que são utilizadas. Uma coisa são os jogadores que tens para executar a estratégia (e com jogadores melhores, a execução pode ser melhor), outra  coisa é o plano, a movimentação e o que se pretende que as peças façam. E nisso os Nets têm sido uma barafunda. Muitas vezes nem se distingue um objectivo naquilo que estão a fazer. Uma coisa eram estarem a tentar executar uma estratégia ou uma jogada e não conseguirem, outra bem diferente é não se vislumbrar qualquer tentativa de movimentação colectiva.

A movimentação de bola é para lá de má. É, muitas vezes, inexistente. Ontem o ataque dos Nets resumiu-se, basicamente, a 1x1 de Brook Lopez a poste baixo, jogadas de isolamento de Joe Johnson e qualquer um dos outros a fazer entradas para o cesto. Básico demais e mau demais para uma equipa daquele nível.

O que não deixa de ser muito estranho, porque Kidd ao longo da carreira sempre foi um organizador e sempre melhorou a movimentação de bola das equipas onde jogou e, no entanto, os Nets têm sido tão maus nesse departamento.

Do outro lado do campo também não têm sido melhores. A defesa é péssima. Os jogadores são facilmente ultrapassados, as ajudas são lentas e chegam constantemente atrasadas, perdem carradas de ressaltos, são a segunda equipa que mais pontos sofre por jogo (103.4) e estão a sofrer 111 pontos por cada 100 posses de bola (o pior rating defensivo da liga)!

Noutras circunstâncias, numa equipa em reconstrução e onde tivesse tempo para aprender a função e cometer erros pelo caminho, podia valer a pena manter a aposta em Kidd. Mas esse é um luxo que os Nets não têm. Kidd não parece de facto ainda preparado para dirigir uma equipa como esta (com  tantas expectativas e que precisa de render no imediato) e quanto mais rápido os Nets admitirem isso e procurarem uma alternativa, mais hipóteses têm de salvar a temporada. Sorry, Kidd, mas se calhar é melhor deixar a tarefa para treinadores crescidos.


O jogo de ontem foi péssimo e do lado dos Knicks, o panorama não é muito melhor. Ontem deu para enganar uns quantos fãs (e jornalistas), que acham que os Knicks fizeram uma grande exibição. Mas não foi o caso. Lá iremos num próximo post.

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