12.5.14

O melhor e o pior duma grande noite


O melhor da grande noite de ontem foi bem resumido por Frank Vogel depois da vitória da sua equipa: "Crédito para os Wizards por terem feito um grande jogo e por terem feito ajustes sólidos e que tiveram mesmo impacto no jogo. Mas às vezes podes ser batido por uma performance especial. E o que Paul George fez esta noite foi especial, não há outra forma de o dizer. Estou muito orgulhoso daquele miúdo."


Como devem estar todos os fãs dos Pacers. E, já agora, como também devem estar agradecidos todos os fãs de basquetebol por terem assistido a essa exibição. Porque é uma que não vamos ver muitas vezes nestes playoffs. O extremo dos Pacers fez o jogo mais completo de todas as séries de todas as rondas até agora.

Foi fundamental e decisivo nos dois lados do campo. Jogou praticamente o jogo todo (46:23), carregou a equipa no ataque com 39 pts (e 7 triplos) ao mesmo tempo que passou o jogo todo a perseguir Bradley Beal através de dezenas de bloqueios e a conter aquele que é a maior ameaça exterior dos Wizards. Foi o melhor "two-way game" destes playoffs.

E não há muitos jogadores capazes de fazer isto (ou fazer isto a este nível). Capazes de carregar a equipa no ataque e serem a principal arma ofensiva ao mesmo tempo que, do outro lado, têm de defender (e defendem bem) o melhor jogador da outra equipa. LeBron é um deles, Chris Paul outro. Cabem numa mão os jogadores que o conseguem (Durant, por exemplo, pode carregar a equipa no ataque, mas não tem a mesma responsabilidade e o mesmo impacto na defesa). E ontem, Paul George fê-lo a um nível que ainda ninguém tinha feito nestes playoffs. Uma exibição para recordar.

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Quanto ao pior da grande noite de ontem? Deixemos Doc Rivers fazer a introdução: questionado sobre a decisão de colocar Chris Paul a defender Kevin Durant, o treinador dos Clippers disse que "não foi uma manobra brilhante, foi uma manobra desesperada.

Pois, desesperada ou não, a verdade é que foi uma manobra de um grande treinador. Um que faz ajustes durante o jogo, que tenta soluções diferentes quando as coisas não estão a correr bem, que procura alternativas e soluções. Que foi o que Scott Brooks não fez.


Rivers colocou Paul em Durant para lhe retirar o drible, impedi-lo de atacar o cesto dessa forma e reduzir as suas penetrações. E como é que Scott Brooks vê este ajuste defensivo (Durant a ser defendido por um base com menos 25 centímetros!) e não faz o ajuste ofensivo óbvio de colocar KD a poste baixo? 
Os Thunder continuaram a fazer as mesmas movimentações, com Durant a receber a bola no topo do garrafão (no elbow) e no perímetro, e nunca exploraram esse enorme mismatch defensivo. Pelo contrário, continuaram a atacar da única forma que Paul podia defender Durant.

O sucesso da defesa dos Clippers não esteve só na defesa individual de CP3, esteve também nos 2x1 que começaram a fazer a Durant. Foi uma abordagem a dois tempos: Paul parava/impedia o drible inicial e vinha depois o 2x1. E conseguiram forçar 3 turnovers de Durant. A tudo isto Scott Brooks assistiu sem fazer um ajuste ou, pelo menos, tentar uma solução diferente.

Essa inércia de Brooks (ou essa incapacidade de interpretar o jogo e fazer ajustes de acordo) foi o pior da grande noite de ontem e, provavelmente, a maior responsável pela derrota de OKC.

3 comentários:

  1. Grande texto Márcio! Acho o Brooks um bocado sobrevalorizado, tem um boa equipa mas que ó faz aquilo nada mais. Dois jogaços ontem, com os Pacers a mostrarem que ainda vão muita luta aos Heat!
    Continuação de bom trabalho
    João Higino

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  2. Papa Valdemares13/05/14, 03:57

    Eu tb não gostei nada das decisões de final de jogo.

    RW é um jogador que faz coisas espetaculares, mas que falha imenso na hora "H". Muito irregular, más decisões, 1 x 1, falta de clarividência, não organiza o ataque.

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  3. Muito obrigado pela leitura. Do melhor que já vi aqui, juntamente com os boletins de avaliação!

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