25.5.14

Uma palavrinha para os Pacers



Uma palavrinha para Frank Vogel e os Pacers: post-up. Vamos dizer outra vez. Post-up. E outra vez. Post-up. Já perceberam a ideia, certo? Os Pacers parece que não.

Como dissemos no texto anterior, esta final da conferência Este é um duelo de estilos. Uma luta entre duas equipas radicalmente diferentes, com sistemas de jogo opostos. E a equipa que conseguir impor o seu estilo ganha a série. 

No primeiro jogo, foi isso que os Pacers fizeram. Carregaram no interior e exploraram a vantagem que têm aí. E tiveram tanto sucesso a fazê-lo que obrigaram os Heat a mudar a estratégia. Estava conseguido o primeiro objectivo da equipa de Indiana: jogar a série nos seus termos e no seu estilo. 
No jogo 2, os Heat abandonaram o small ball e jogaram com dois jogadores interiores para tentar equilibrar o jogo interior e defender West e Hibbert. Tiveram mais sucesso na defesa, mas à custa da mobilidade e fluidez do seu ataque. Nesse jogo compensou (fizeram o suficiente na defesa para ganhar e o que ganharam na defesa compensou o que perderam no ataque), mas foi uma partida equilibrada e ficou a sensação que, se os Pacers continuassem a insistir nesse jogo interior, podiam ganhar.

No jogo 3, Spoelstra manteve a estratégia com dois bigs e os Pacers fizeram aquilo que se esperava: carregaram no interior. E com sucesso. West, Hibbert e Scola conseguiram muitos pontos na área restritiva e conseguiram colocar Bosh e Haslem com problemas de faltas. Com os dois bigs titulares dos Heat a fazerem a sua terceira falta ainda no segundo período e a terem de ir para o banco, Erik Spoelstra voltou ao small ball e colocou Rashard Lewis em jogo.

E os Pacers, inexplicavelmente, não fizeram os Heat pagar por isso. Abandonaram a estratégia que tantos frutos estava a dar (que lhes deu 15 pontos de vantagem) e, nesse final da primeira parte e na segunda parte, deixaram de atacar no interior.

Com Rashard Lewis a defender David West, não foram uma única vez para poste baixo para tentar explorar esse emparelhamento defensivo. West e Hibbert não fizeram praticamente nenhum post-up na segunda parte. 
Com ataque atrás de ataque a ir para pick and rolls e com demasiado drible no perímetro, os Pacers foram de encontro aos pontos fortes dos Heat: pressão defensiva sobre os jogadores exteriores nos pick and rolls, provocar turnovers e sair em contra-ataque. 
E com David West a defender Ray Allen (e a ter, naturalmente, muitas dificuldades em acompanhar os movimentos e cortes deste), deram demasiados lançamentos sem oposição.

Os Pacers não exploraram no ataque o small ball dos Heat e não os castigaram desse lado do campo. E os Heat castigaram-nos do outro lado.

Agora, o jogo 4 é um verdadeiro jogo 7 para os Pacers. Se perderem, a série ficará praticamente decidida. O que têm de fazer para que isso não aconteça? Menos drible no perímetro e colocar mais bolas nos seus jogadores interiores. Numa palavra? Post-up.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Concordo, não vejo os Heat a perderem em casa.

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  2. Boas Márcio

    Eu visito o blogue todos os dias e gosto de ler os teus posts mas tenho reparado que quando se trata dos miami, eles são um bocado tendenciosos...

    EU sou fã dos spurs, e espero que a minha equipa chegue a final e que essa final seja a mesma do ano passado pois, todos os outros cenários são muito menos emocionantes.

    olhando para o post, fico com a impressão que pensas que os miami ganharam por demérito dos pacers do que por próprio mérito. Eu vi o jogo e não fiquei com essa impressão, os miami arrancaram mal, mas depois disso conseguiram começar a jogar ofensivamente e já mais a frente no jogo ligaram aquela defesa incrível e tornou se impossivel para os pacers os alcançarem. Já na primeira parte, os pacers começarem a conseguir ganhar menos posição no jogo interior e por isso a bola não ia tanto para lá.. e posteriormente ligaram a defesa agressiva.. eles este ano não tão a defender menos que o ano passado, estão ligeiramente abaixo durante os 48 mas nada demasiado grave, mas quando eles ligam ali durante uns 5 minutos a defesa activa e agressiva conseguem virar os jogos todos, aquilo é impossivel de fazer durante 48 minutos, ninguem iria aguentar, mas durante esses 5 minutos como eles fizeram neste jogo 3, destruiu os pacers e qualquer hipotese de ganhar o jogo e isso é o que mete mais medo no jogo de miami

    Espero que consigam chegar a final para os meus spurs se vingarem haha e que o Wade destrua o Lance S., como tem feito, para ver se ele começa a ganhar respeito por jogadores veteranos

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    1. Boas,

      antes de mais, obrigado pelas tuas visitas e pelo teu feedback (é sempre bem vindo). :)

      em relação ao post, não penso (nem quis dizer) que os Heat ganharam por demérito dos Pacers. Claro que foi por muito mérito seu. Como digo no texto, esta é uma série de estilos opostos e a equipa que conseguir impor o seu estilo, ganha.
      E os Heat, com todo o mérito, conseguiram impor o seu neste jogo. A defesa foi agressiva e activa e, no ataque, exploraram muito bem o mismatch que Ray Allen tem ao ser defendido por David West.

      Concordo quando dizes que é muito difícil manter essa intensidade defensiva durante 48 mins. Para além disso, os Pacers (e outras equipas) já perceberam como atacar esse defesa hiper-agressiva, por isso é bom eles variarem a defesa e não defenderem sempre da mesma forma (mas poder ligar essa defesa quando precisam). Já fizemos um post sobre isso, não sei se viste:

      http://setevintecinco.blogspot.pt/2014/01/que-e-feito-da-defesa-dos-heat.html


      Mas esta análise era apenas na perspectiva dos Pacers, do que eles precisam de fazer para contrariar isso e do que precisam fazer para não deixar os Heat impor o seu estilo.

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