22.5.11

Como silenciar uma multidão


O lendário John Wooden dizia que a altura não se ensina (you can't teach height). Já aqui acrescentámos num post anterior que não se ensina coração (you can't teach heart). Permitam-nos que acrescentemos mais uma: não se ensina experiência.

E a prova disso surgiu-nos esta noite pela mão dos Mavs. Num jogo decisivo, a jogar fora, frente a um público que tem sido dos mais barulhentos e fervorosos destes playoffs e depois de terem perdido em casa pela primeira vez nesta fase, a equipa de Dallas deu uma aula sobre como enfrentar momentos destes.
A mesma equipa que ficou famosa em anos anteriores por quebrar em momentos-chave (o descalabro na final de 2006 e a eliminação na 1ª ronda às mãos dos Warriors em 2007 vai persegui-los para sempre), uma equipa apontada como mentalmente fraca, a crónica candidata ao título que constantemente desilude nos playoffs, chegou a Oklahoma City e mostrou como se comporta uma equipa veterana e um verdadeiro pretendente ao título.

Uma das dificuldades de jogar fora é enfrentar o público adversário e resistir à pressão que este coloca sobre os jogadores. E se acham que isso é fácil, imaginem 18203 pessoas como estas, a um metro do campo, a gritar nos vossos ouvidos e a tentar desconcentrar-vos:


Não é por acaso que tantas equipas falam da importância do apoio do público e que este é considerado como mais um jogador. É o sexto jogador no basquetebol. O 12º jogador no futebol. Porque podem realmente influenciar e alterar um jogo. E é por isso que uma equipa experiente sabe que, em momentos como este, é fundamental retirar o público do jogo e roubar essa vantagem à equipa da casa. E qual a melhor maneira de fazê-lo? Começar a todo o gás e não deixar o público entrar no jogo. Entrar a matar logo no início e ganhar uma vantagem que permita jogar o resto do jogo com o público mais calmo (ou desiludido, porque não estarão mais calmos por estarem a perder. Mas estarão mais calados, de certeza).

Foi isso mesmo que os Mavs fizeram. Dominaram o 1º período, conseguiram uma vantagem de 15 pontos ao fim dos primeiros 12 minutos (27-12, aumentada para 35-12 no início do 2º período) e o público de OKC perdeu o pio. A partir daí jogaram num ambiente mais calmo e silencioso.

Os Thunder tentaram a recuperação, claro. Não desistiram assim tão facilmente e quando conseguiram encurtar a distância, o público voltou (mas mesmo aí a vantagem era para a equipa forasteira; é sempre melhor quando tem de ser a equipa a puxar pelo público do que o contrário). E aí os Mavs deram a segunda parte da aula: não entrar em pânico, manter a calma, baixar o ritmo de jogo, executar as jogadas, colocar a bola nos melhores jogadores e selar o que começaram.
Podem ouvir a lição na primeira pessoa, pela boca de Jason Kidd: "Somos uma equipa velha e se não tivéssemos experiência, podiamos estar em sarilhos. Trata-se de perceber a situação, de perceber o momento. Este jogo é de parciais, 6-0, 10-0, e tentámos minimizar os parciais deles. Eles fizeram uma recuperação, mas ninguém entrou em pânico. Metemos a bola nos jogadores que precisavam de ter a bola e eles fizeram jogadas."

E os Mavs silenciaram um pavilhão e uma cidade. O que é sempre uma boa forma de se colocarem em posição para vencer.

5 comentários:

  1. Obrigado, Filipe, pela visita e pelo elogio! Espero continuar a contar com a tua visita! E traz um amigo também (ou dois ou três)! :)

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  2. E o mais curioso é que Dirk nem fez um bom jogo (fez um bom 4º periodo, pelo menos em termos de pontos). Mas os Mavs bem podem agradecer a Marion e a Tyson a 1ª grande arrancada que lhes deu 23 pontos de avanço. É que nem o "banco" contribuiu como é costume (Terry esteve terrível nos lançamentos de campo e Barea quase não se viu).
    Mas do outro lado, também esteve um sub-Durant... Como diria Rose "Foi um daqueles dias",

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  3. Diogo Correia23/05/11, 00:50

    Tento seguir um pouco de NBA mas não é fácil pois dá muito tarde! Vou vendo uns resumos e lendo pouca coisa mas já fui conquistado pela espectacularidade deste desporto que é à parte do basquetebol. Vou seguindo o blog à pouco tempo mas vou deixar uma sugestão, visto que gostaria se de alguma forma te for possível, que era fazeres uma análise dos jogos que faltam dos playoff à semelhança do que é feito pelo Visão de Mercado mas para o futebol.

    Cumprimentos

    Continuação do bom trabalho

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  4. Obrigado pelas visitas e pela sugestão, Diogo! Volta sempre! :)

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