22.4.13

CONTRA-ATAQUE - As escolhas do Pedro Silva


Hoje estreamos uma nova coluna e um novo colaborador no SeteVinteCinco. A partir de hoje abrimos o nosso espaço à opinião do Pedro Silva. O Pedro é formado em Ciências da Comunicação, um apaixonado por basquetebol e autor do blogue Na Desportiva (se nunca leram, recomendo desde já a leitura). E todas as segundas feiras, vai ter aqui uma coluna. 

Como sempre, vão continuar a levar com as minhas opiniões, teorias e tudo o que me parecer interessante/divertido/curioso/imperdível sobre a NBA. E às segundas feiras, vão ter o CONTRA-ATAQUE do Pedro Silva, um espaço onde ele fará os seus destaques da semana, escreverá sobre algum tema que ele pense que eu devia ter destacado ou algum tema que eu tenha abordado, mas sobre o qual ele tenha uma opinião diferente. Todos os dias têm aqui a minha visão pessoal da NBA. E às segundas, o Pedro contra-ataca com a sua. 

Para esta primeira edição do CONTRA-ATAQUE, depois das minhas escolhas para os prémios individuais da temporada regular, o Pedro contra-ataca hoje com as suas:


Viva! Parece que fui convidado para contrapor as opiniões do Márcio ou simplesmente voluntariar as minhas, pelo que começo hoje com as escolhas pessoais para os prémios da NBA. É natural que concordem com alguns e me acusem de cegueira e demência em outras, mas a vida é assim. Posto isto:

MVP - Lebron James (Miami Heat) - Raras são as vezes na Liga em que um jogador é tão dominante que o segundo melhor profissional do mundo na área (que melhorou em quase todos os aspectos em relação à época anterior) não entra sequer na discussão. À entrada para a época, podia ser uma boa oportunidade de Kevin Durant levar o seu próprio MVP, numa tradição tácita da NBA de atribuir também o prestigiado prémio a outros grandes jogadores em épocas que o melhor do mundo estivesse só "muito bem" (por exemplo, quando Charles Barkley foi eleito MVP na temporada 1992/93, não significava que Jordan não fosse ainda o melhor jogador da liga - acabou com média de 32.6 pontos por jogo, mais 7 que os 25.6 de Barkley). Posto isto, Lebron não permitiu que Durant entrasse realmente na discussão, fazendo uma época que pode ser descrita como "brilhante", "ridícula" ou "épica", com máximos de carreira em % de lançamentos de campo e triplo, subindo a sua eficácia para níveis poucas vezes vistos na história do jogo. Tão assombroso quando os seus números foi a simplicidade e facilidade com que James os conseguiu, dominando os jogos quase todos com uma elegância serena e total. 

Rookie do Ano - Damian Lillard (Portland Trailblazers) - Acredito que Anthony Davis vá ter uma carreira melhor que Lillard, quando ambos tiverem no lar da terceira idade com robes multicoloridos a olhar para o que foram os seus anos na NBA. No entanto, vão olhar um para o outro e concordar que na sua época de estreia, Lillard foi o justo rookie do ano. Davis tem tudo para continuar a evoluir e se tornar um dos melhores jogadores defensivos do jogo e uma boa opção de ataque, mas Lillard fez uma época fantástica. Podem não ter noção, mas foi o jogador que mais minutos jogou esta época. Não entre os rookies, de toda a liga. 3166 minutos, mais 48 (um jogo inteiro) que Kevin Durant, segundo na lista. É verdade que os seus robustos números (19.0 pontos por jogo, 6.5 assistências e 3.1 ressaltos) foram, portanto, conseguidos à base de bastante volume e com eficácia discutível, mas foi ainda assim uma revelação, fazendo uma equipa de Portland de talento mediano (e que chegou a começar jogos com 4 rookies no 5 inicial) a fazer uma época acima das suas possibilidades. 

Sexto Homem do Ano - J.R. Smith (NY Knicks) - Sou fã confesso dos Knicks, pelo que sei bem o que é ter J.R. Smith na equipa. Este ano, foi no geral uma experiência muito positiva, com os ocasionais momentos de "JR, AINDA FALTAM 18 SEGUNDOS NO RELÓGIO DE LANÇAMENTO, PORQUE RAIO ESTÁS A LANÇAR DE TRIPLO (E DE TÃO LONGE!) COM DOIS ADVERSÁRIOS EM CIMA?!!?" Ainda assim, o corte drástico de momentos destes resultam em várias coisas louváveis - um merecido prémio para J.R., que foi, quando a mim, ligeiramente melhor que outros candidatos, sobretudo Jamal Crawford e Jarrett Jack - tem números um pouco melhores e mais momentos decisivos; mais eficácia para a equipa dos Knicks e menos cabelos brancos e/ou arrancados para mim. 

Defensor do Ano - Joakim Noah (Chicago Bulls) - No meu blog, acabei por colocar Noah como o Jogador Defensivo do Ano, apesar do derrape pessoal e dos Bulls na recta final da temporada, que não se podem separar dos problemas físicos de Noah, que o estão a afectar até agora nos playoffs. Ainda assim, há casos muito válidos para atribuir o prémio a uma série de outros jogadores, com destaque para Marc Gasol, Tony Allen, Lebron e Larry Sanders. No fim das contas, optei por não penalizar a lesão de Noah e dar o benefício da dúvida a um jogador que ancorou uma defesa dos Bulls que atravessou dificuldades de lesões durante toda a época e teve períodos de excelência alongados. 

Most improved - Greivis Vásquez (New Orleans Hornets) - Outro prémio para o qual não faltam candidatos válidos. O venezuelano Vásquez destaca-se por ter sido o jogador da NBA que mais assistências fez esta temporada em termos absolutos (com 9.0 por jogo, ficou atrás de Chris Paul e Rondo nas médias, mas ninguém passou as 704 totais de Greivis). Numa liga de bases, onde a maioria das equipas tem um point guard de alta qualidade, os números de Vásquez são bastante impressionantes, e ainda mais ficam quando pensamos no plantel dos Hornets e imaginamos que alguém tinha que finalizar as jogadas para a assistência de Vásquez contar. Da época anterior para esta, Vásquez passou de 8.9 pontos, 5.4 assistências e 2.6 ressaltos por jogo para 13.9 ppj, 9.0 assistências e 4.3 ressaltos, tendo apenas subido 8.6 minutos por jogo para o conseguir. 

Treinador do Ano - Erik Spoelstra (Miami Heat) - Mais uma vez, há uma catrefada de legítimos candidatos ao prémio de melhor treinador do ano, incluindo talvez todos os que levaram as suas equipas aos playoffs na conferência de Oeste (excepção feita a Mike D'Antoni). George Karl fez um trabalho brilhante em Denver, Popovich merece o prémio ano sim, ano sim e Kevin McHale e Mark Jackson conseguiram tirar o máximo (e mais um pouco) de plantéis com lacunas e deficiências. Por outro lado, não podemos penalizar Spoelstra por ter uma equipa muito boa. Se assim fosse, o prémio estava aberto apenas aos outros 29 treinadores no início da época. Assim sendo, este é um bom ano para premiar o treinador dos Heat, que conseguiu o melhor registo da liga, alcançou a segunda maior série de vitórias da história da NBA e reconstruiu totalmente o ataque de Miami, criando um sistema ofensivo que coloca Wade e James a jogar mais frequentemente no interior, puxando Bosh para fora e rodeando-os de atiradores como Ray Allen e Battier. Se não ganha este ano, não sei em que ano ganhará. É fácil não gostar dos Heat e é fácil desvalorizar o trabalho de Spoelstra, mas é de facto um bom treinador e merece muito crédito esta temporada.

Pedro Silva

11 comentários:

  1. Só não concordo com o MIP, nem é pelo vasquez não o merecer porque merece, mas custa-me muito ver a época que o paul george (e indiana) fez e acabar sem nenhum prémio. Portanto o meu MIP ia para ele.
    O resto concordo se bem que entre o noah e o marc era moeda ao ar sinceramente.
    PS: A descrição do JR foi provavelmente a melhor que já li lol

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    1. Tb acho q Paul George deve ser o MIP...N concordo que George Karl n ganhe o prémio de melhor treinador do ano. O q fez em Denver é espectacular. Pôr uma equipa sem nenhuma estrela em 3º na conferência Oeste é 1 grande trabalho (4º melhor recorde da época). 38-3 em casa é obra. Este ano (2013) têm o 2º melhor recorde da época (o melhor pertence aos Heat). Nem a lesão do Gallinari os fez parar e smp souberam compensar as lesões q tiveram..

      Noah vs Gasol - tb acho q Noah esteve melhor mas Marc Gasol foi mais consistente este ano e n se pode entregar o prémio de mão beijada ao melhor (se assim fosse Popovich era smp coach of the year), acaba penalizado Noah, pelo deslize da equipa e pelas lesões q teve.

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  2. Concordo em tudo, menos no coach of the year, mas justificaste bem a escolha Pedro. Eu pessoalmente escolheria o Karl mas o prémio nao fica mal entregue ao Spoelstra. Realmente se não ganhar este ano nunca mais ganhará.
    Força nisso. Saudações

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  3. Muitos Parabens, acho que este tipo de iniciativas so melhoram o blog!! Continuem com o bom trabalho e obrigado!! :D

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  4. Stoudemire23/04/13, 00:23

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vxgEFwoy-pA

    Olha o shooter medíocre, (com 40% de 3pt LOL).

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    1. qto é q tem em % de lançamentos livres?

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    2. Uma época. a média de carreira é obviamente bastante mais baixa. Nothing to see here, move along.

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  5. Gostei muito desta iniciativa.. Acho que foi uma brilhante ideia.
    Quanto a estas escolhas, discordo da do coach. Como dizes sobre o Spoelstra, se não for este ano quando será? Mas o trabalho feito pelo George Karl foi do outro mundo.. Uma conferência tão forte e fazer este trabalho sem ter uma Superestrela, colocar uma equipa a jogar como EQUIPA e ter um basquetebol tão bom de se ver, na minha opinão, entregava-lhe o prémio a ele. Mas caso vá para o Spoelstra, também é muito bem entreque. Entre estes 2, tem que ser dado. Apesar dos altos e baixos, o trabalho feito pelo Thibodeau numa equipa destroçada por lesões também foi muito bom.

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  6. o buzzerbeater ontem do Chris Paul foi extremamente mal defendido pelos Grizzlies. Primeiro, não sei porque as defesas não cortam a direita aos jogadores dextros, se eles conseguirem marcar a penetrar com oposição pela esquerda, é porque não há muito mais a fazer. Depois o conley devia ter-lhe fechado o caminho para o cesto. Já se sabia que o Chris Paul ía lançar, o Jamal Crawford só lá estava para espaçar o court, e dado o historial dos jogadores e equipas preferia dar o shot de 3 ao Crawford do que a penetração ao CP3. Posto isto, ainda havia a opção de por dois gajos no CP3 e oferecer ao Matt Barnes o espaço para lançar e tentar ganhar o jogo para os Clips.

    Anjinhos os Grizzlies.

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  7. O Most improved man of the year na primeira pessoa:

    http://probasketballtalk.nbcsports.com/2013/03/18/paul-george-says-breakout-year-because-he-started-preparing-like-kobe/

    “I switched it all up, just my whole preparation. I come in early, I lift before every game and I get about 300 or 400 shots up prior to the game as well. All of that really came from Kobe Bryant. With him being around Brian Shaw and Brian Shaw being around us and me having a relationship with Brian Shaw and the conversations we have had, that’s how Kobe prepares and gets ready for games. Me, idolizing Kobe growing up in L.A, that’s really how I changed my whole season around.”

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  8. Bem vindo então, Pedro Silva. E concordo com a tua grelha, embora na de treinador do ano, pense que seja muito difícil prever quem vá ser nomeado: Spoelstra tem a melhor equipa da liga, e isso pode desvalorizar um pouco o seu trabalho, Popovich e Thibodeau voltaram a fazer trabalho notável, e haverá outros com aspirações.
    Entre o Vazquez e o Paul George, tive dúvidas, mas pensei que fosse dado o prémio ao Vasquez, até por estar numa equipa menos cotada, mas pelos vistos enganei-me. Ganhou mesmo o George.

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