20.6.11

A pior coisa que podia acontecer à NBA


E o lockout?, pergunta um dos nossos leitores nos comentários do post anterior. Bem, o lockout é, simplesmente, a pior coisa que podia acontecer na NBA neste momento.


As audiências televisivas estão no máximo dos últimos 10 anos (as Finais de 2011 foram as mais vistas desde os títulos dos Lakers no início da década passada), a assistência nos pavilhões continua a crescer (a ocupação nos pavilhões foi de 90.3%, a sétima temporada seguida com 90% ou mais e os 17306 de média deste ano significa um aumento de 1% em relação ao ano anterior e a quinta marca mais alta da história da competição) e a NBA está num pico de popularidade.

A ascensão de novos nomes (Rose, Durant, Westbrook, Griffin, entre outros), todas as histórias em torno de Lebron James e toda a publicidade e burburinho causados pela reunião dos Três Super-Amigos em Miami, a novela de Carmelo e o regresso dos Knicks à relevância, bem como o bom desempenho de outras equipas para além das habituais (Grizzlies, Thunder) relançaram o interesse pela competição americana um pouco por todo o mundo. Para além dos fãs habituais, muitos fãs ocasionais e mesmo muitas pessoas que não são (ou não eram) fãs de basquetebol e da NBA seguiram com interesse as peripécias desta temporada.

E apesar de todas as críticas que a Decisão de Lebron recebeu, ela foi uma das responsáveis pelo sucesso desta temporada juntos do público. Um sucesso que a conquista do título pelos Mavs veio ainda reforçar. Porque deu à NBA uma narrativa e deu aos fãs algo por que torcer. Ninguém ficou indiferente e, tal como nos filmes, todos tomaram um partido. Uns torceram pelos bons da fita, enquanto outros torceram pelos vilões. E, como em qualquer filme de Hollywood, no fim venceram os bons da fita. Nenhum argumentista o teria escrito melhor.

E o que não faltou na NBA este ano foram narrativas com as quais os fãs sentiram empatia. Para além deste duelo "bem vs mal", tivemos a história do MVP de Rose (o jovem humilde que, com dedicação, luta, esforço e trabalho, chega ao topo; é o Rocky versão NBA), a novela de Carmelo (duas vizinhas que gostam de e tentam conquistar o mesmo homem; é a versão NBAiana do clássico triângulo amoroso), o show de Griffin (a versão da NBA do filme com espectaculares cenas de acção) e a "feel good story" dos pequenos Grizzlies e Thunder que conseguem lutar com os grandes (é o universal conto de David e Golias).

Aquilo com que nenhum fã sente empatia é com este drama do lockout. Porque para o comum fã, é uma guerra entre proprietários multimilionários e jogadores que ganham rios de dinheiro. Os primeiros querem reduzir os custos e as despesas das equipas e os segundos não querem abdicar duma parte do que ganham. Pode ser uma visão simplista, mas é essa a visão que passa para o público. Depois das histórias fantásticas da temporada, ninguém quer ouvir falar dum cancelamento por histórias de bastidores e coisas que nada têm que ver com o que se passa dentro de campo.

O que qualquer argumentista faria agora era uma sequela. Vamos aproveitar o sucesso desta história e continuá-la, era o que diriam. Interrompê-la, num momento ímpar de popularidade, é o pior que podem fazer. A NBA precisa que a história não pare.

5 comentários:

  1. Vamos torcer para que não ocorra... parece que hoje é o dia D, né? Abraço!

    http://pula2.blogspot.com

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  2. o que é o dia D?

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  3. O grande problema é que as posições estao demasiado extremadas.

    Márcio, já agora o que esperar dos Clippers na off season, é que mesmo não precisando de muito, porque o talento anda por lá, do draft nao devem tirar nada e quem tem o jogador que vai marcar a proxima decada tem de fazer alguma coisa

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  4. Hoje é o dia D, porque os donos das equipas e o sindicato dos jogadores vão fazer a última das reuniões agendadas para discutir o novo Acordo Colectivo. Se não chegarem a acordo hoje (o que não parece fácil) ou até ao fim do mês (quando expira o Acordo em vigor) a NBA declara um lockout e as actividades desportivas são suspensas até haver acordo.

    Vamos todos fazer figas!

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