3.6.11

Segundo Assalto: Mavs


(porque o prometido é devido, aqui fica a análise deste jogo 2, pela perspectiva dos Heat)

Ontem enquanto assistia ao jogo interrogava-me sobre como iria fazer o prometido post dos Heat. Parecia que não ia ter outra alternativa senão apontar tudo que fizeram bem e fazer uma glorificação de Lebron e companhia. Não havia muito para apontar como coisas-que-fizeram-mal-e-precisam-de-melhorar. Lebron estava certeiro de todo o lado, Wade estava a dominar, a defesa estava activa e a forçar turnovers e os Heat estavam a fazer aquilo que mais gostam: correr e contra-atacar. Até Mike Bibby estava a jogar bem! O relógio avançava já para os 6:00 minutos do 4º período (e para as 4 e picos no relógio da sala!) e Miami liderava confortavelmente por 15 pontos. Tudo parecia encaminhado para a AmericanAirlines Arena se manter inexpugnável. Até que...


Até que os Heat me deram assunto para o post. Nesses últimos minutos a defesa relaxou, os Mavs marcaram 7 pontos rápidos e a vantagem reduziu num ápice para 8. Desconto de tempo para os Heat. Mas nada mudou. Os Mavs continuaram a carregar e os papéis invertem-se. A defesa de Dallas mais pressionante e activa, os Heat a falharem lançamentos e, com o relógio a marcar 1:30, a ganhar por 2 e com posse de bola, têm um ataque que ilustra na perfeição aquilo que correu mal nestes minutos finais.

A equipa de Erik Spoelstra não constrói qualquer ataque, Lebron gasta os 24 segundos e lança um triplo apertadíssimo (com Tyson Chandler a defendê-lo) já no final do tempo de ataque. Falha, mas ganham o ressalto ofensivo. Nova oportunidade para os Heat. E que fazem? Um ataque exactamente igual. Voltam a gastar o tempo, sem construir qualquer movimento ofensivo, e Lebron volta a lançar outro triplo pressionado e em má posição. Falha novamente, Haslem ganha novamente o ressalto defensivo, mas para evitar pisar fora de campo, salva a bola para trás e esta acaba nas mãos de Jason Terry perto do meio campo. Contra-ataque dos Mavs e empate na partida, a :58 do fim. Depois disso, foi o show do alemão e a vitória improvável dos Mavs.

Nesses minutos finais, os Heat deixaram de executar os movimentos ofensivos, deixaram de movimentar a bola no ataque e recorreram às acções individuais, o que se torna mais previsível e fácil de defender. O próprio Spoelstra reconheceu-o: "Não executar no final do jogo, não mover a bola e procurar o jogador livre... estávamos apenas a esgotar o tempo de ataque e essa não tem sido uma fórmula de sucesso para nós nos últimos meses."


Versatilidade no ataque é fundamental para vencerem esta série. O seu ataque fica melhor quando Bosh e outros jogadores são envolvidos. Ontem todos os ataques começaram no perímetro, nenhum começou a poste baixo ou numa posição interior.
Um bom exemplo de como podem ter bons resultados quando não recorrem sempre às mesmas soluções no ataque foi o triplo de Mario Chalmers no penúltimo ataque. Quando todos esperavam que a bola fosse para as mãos de Wade ou Lebron (que estava a repor e podia ir receber depois à mão e aproveitar o bloqueio do portador da bola), surpreenderam e passaram para Chalmers no canto mais distante (Terry estava a dormir, mas também porque pensava que a bola nunca ia para ali). 3 pontos para os Heat. Com mais jogadores envolvidos são mais ameaças e possibilidades para a defesa se preocupar. Com mais jogadores envolvidos, melhor ataque.

Durante 42 minutos, os Heat defenderam bem (grande trabalho de Haslem e Anthony nas tabelas e na defesa a Nowitzki), contra-atacaram, foram mais rápidos, tiveram mais energia, lutaram e foram melhores. Forçaram 18 turnovers, que resultaram em 31 pontos. Defenderam o meio do campo, fecharam bem as linhas de passe (com Lebron em destaque) e seguraram a tabela defensiva. Durante 42 minutos mostraram o seu melhor lado e pareceram imbatíveis. Mas depois, durante 6 minutos, mostraram o seu pior lado e regrediram para os Heat (do início) da temporada regular. E esses não são os Heat que podem ser campeões. Os dos primeiros 42 minutos, esse sim, têm grandes possibilidades.

8 comentários:

  1. Stoudemire03/06/11, 14:57

    Bom post, naqueles 6 minutos mudaram o chip.
    Márcio, previsões para Dallas?
    Eu digo que os Heat voltam a Miami com 3-2 no bolso.

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  2. Concordo com a análise em grande parte. Há que dar mérito a Dallas, das últimas 11 posses, converteu 10! E há um certo demérito de Miami, mas isso não explica tudo. Não comecem já a carregar no Lebron que isso é ridículo, ele fez o habitual mais que necessário quase o jogo todo, e ainda "descobre" o Chalmers no final para o triplo de empate. Ok, as jogadas de isolação dele foram um exagero, mas tanto ele com o Wade não são de ferro, e com o que correram ontem durante o jogo todo não acredito que ainda conseguissem atacar o cesto em todas as posses possíveis! Eles são humanos, bolas. É normal que ao fim de 40 minutos sempre a correr e defender no limite as linhas de passe eles comecem a tentar correr o menos possível no ataque... Para mim fizeram o correcto e óbvio, tentar gastar os 24s sucessivamente, sobre a maneira como o fizeram é que coloco as minhas reservas... "Amigo" Spoelstra, aí tens que te chegar à frente tu... Outra coisa que não compreendo é a quantidade de tempo que é dado ao Miller. Ele está por arames, defende mal, e com o Jones no banco, não compreendo esta escolha... O Jones está em muito melhor condição, atira melhor, defende melhor, e mesmo que no resto todo seja pior que o Miller, não vejo porque não há-de ser ele a jogar mais... Ao fim ao cabo, quase sempre que foi chamado cumpriu e não lhe pedem mais que atirar/defender...
    Ontem para mim foi um belo exemplo que não se consegue correr sempre mais que a bola. A defesa no limite de Miami deu frutos a maior parte do jogo, mas quando as pernas pesaram, ela falhou nos momentos cruciais. As rotações defensivas de Miami no 3º/inicio do 4º foram sublimes! Mas quando o corpo começa a dar de si começam a atrasar-se muito nos 2vs1 e nas correrias a rodar na defesa... A bola desta vez ganhou, o que costuma ser raro contra Miami.

    e 3-2 para Dallas na volta a Miami

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  3. O lebron judas james nunca falha isso ta mal, ele ás vezes é que nao marca mas nunca falha..é sem duvida o melhor jogador que alguma vez vi jogar..
    miami vai ganhar o campeonato tranquilamente e vai ficar 4-2.

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  4. Concordo plenamente com a tua análise Márcio. Penso que eles relaxaram e já sabemos que na NBA é proibido relaxar, muito menos, relaxar nas finais do playoff. Por outro lado, sendo adepto incondicional dos Heat, gostei que isso lhes tivesse acontecido. Por vezes as vitórias dão excesso de confiança aos jogadores e isso aconteceu a Miami neste jogo. Assim vão voltar a jogar como eles dizem "with a chip on their shoulders" para provarem que podem ser melhores se jogarem 48 min com máxima intensidade. Aposto em 4-2 para Miami no final.

    PS: Márcio, uma sugestão. Não sei se acompanhaste as finais do playoff do campeonato português. Achas que podias fazer um post pequenino sobre isso? :) (se acompanhaste claro!).

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  5. jogo muito estranho por parte dos Heat 30 tentativas de 3 pontos? nao é normal para esta equipa e com o Jones sem entrar...

    Tentativa de 3P
    chalmers com 1-6
    miller com 0-3
    lebron com 2-7?

    não é muito normal...assim como o Wade jogar mais 3 min do que o Lebron não é nada normal mesmo :S

    para concluir concordo com a analise feita ao jogo dos Heat, apesar de só ter visto o resumo da partida devido a ter um exame hoje de manha :(

    os heat voltam a miami na frente... axo que este choque da reviravolta vai acorda-los...

    mas acima de tudo que seja um GRANDE FINAL DE PLAYOFF

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  6. os heat podiam tar ja com uma margem boa nos playoffs.

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  7. Stoudamire, tou com o Marco, 3-2 para Dallas no regresso a Miami (mas bom, bom era não voltar para Miami)! :)

    Em relação à final de Liga Portuguesa, vi só o jogo 1 e 2 completos e apenas bocados dos restantes, por isso não vi o suficiente para uma análise detalhada. Mas no que vi, o Porto foi melhor e jogou melhor (e eu sou do Benfica, antes que me acusem de estar a defender o Porto!).

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  8. Esta recuperação faz lembrar a de 2006, hoje vamos ver se teve algum efeito psicologico?

    Sem quaquer tipo de critica o final do jogo de Lebron fez lembrar os anos de Cleveland em que tentava resolver sozinho e não foi assim que chegou a esta final

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